Por Humberto Tobé, Isabella Werneck Zanon
A Baixada Santista, região que reúne o maior porto da América Latina, extensas áreas de preservação ambiental e uma população que multiplica em determinadas épocas do ano por conta do turismo, passa a contar com o Brasil 360, novo modelo de cofinanciamento federal da atenção primária à saúde do Ministério da Saúde. O modelo organiza o financiamento em três componentes, um valor fixo por equipe, um componente vinculado ao acompanhamento da população cadastrada e um terceiro voltado à qualidade do cuidado territorial, substituindo a lógica anterior de repasses uniformes.
Um dos pontos centrais é a vacinação. O Novo PAC Saúde prevê a entrega de conjuntos de equipamentos para 10 mil unidades básicas no país, e entre os 18 itens de cada conjunto está a câmara fria para vacinas, que garante a conservação das doses no próprio posto. O mesmo conjunto traz eletrocardiógrafo digital, ultrassom de bolso, dermatoscópio e desfibrilador externo. O sistema e-SUS APS também ganhou uma ferramenta de busca ativa de vacinação, para que a equipe saiba quem está com dose atrasada.
A saúde bucal recebeu reforço direto. O valor mensal da equipe de Saúde Bucal 40 horas (modalidade 1) subiu de R$ 2.453 para R$ 4.014. O Centro de Especialidades Odontológicas passou de R$ 8.250 para R$ 23.100 por mês. E o programa prevê 800 unidades odontológicas móveis no país, totalmente equipadas. A qualidade dessas equipes é medida por indicadores como primeira consulta programada, tratamentos concluídos e menos extrações, o que valoriza quem previne e trata antes de arrancar o dente.
Como funciona o financiamento? O repasse federal tem três partes. A parte fixa considera a situação de cada município, com um índice que combina vulnerabilidade social e tamanho. A parte do vínculo reconhece a equipe que cadastra e acompanha a população. A parte da qualidade mede os resultados. Nas cidades de porte médio, a referência é de 2.500 a 2.750 pessoas por equipe, e nas maiores, 3 mil, contra 4 mil no modelo anterior.
Um cuidado especial vai para os idosos. O indicador da pessoa idosa avalia se ela teve consulta em 12 meses, se teve duas visitas em casa do agente comunitário e se tomou a vacina contra a gripe. Para quem tem diabetes, o acompanhamento inclui exame de hemoglobina glicada e avaliação dos pés. Para quem tem pressão alta, consulta a cada 6 meses e medição da pressão.
O Ministério ainda apoia a ligação entre o posto e o especialista. Com o Agora Tem Especialistas e as regras de cuidado compartilhado, a espera é monitorada e o paciente volta ao posto com orientação depois da consulta. As equipes multiprofissionais, que hoje somam 6.288 no país, ajudam a completar o cuidado.
Para a população da Baixada Santista, o resultado é uma saúde mais próxima e mais preventiva. Vacina no posto, dentista com reforço de estrutura, acompanhamento regular para o idoso e para quem tem doença crônica significam menos complicações e menos internações. O cuidado deixa de ser só para quando dói e passa a acompanhar a pessoa durante todo o ano.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. SUS Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://sus360.saude.gov.br/.
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).