SUS Brasil 360 na região de Osasco: financiamento passa a valorizar resultado e vínculo territorial
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Por Humberto Tobé, Isabella Werneck Zanon

A região de Osasco, que reúne municípios de grande densidade populacional no entorno da capital paulista e concentra importante polo comercial e financeiro, passa a operar sob a lógica do Brasil 360, o novo modelo de cofinanciamento federal da atenção primária à saúde do Ministério da Saúde. O modelo divide o financiamento em três componentes: um valor fixo por equipe, um componente vinculado ao cadastro e acompanhamento da população, e um terceiro relacionado à qualidade do acompanhamento territorial.

O Ministério da Saúde vem tratando a atenção primária, o posto de saúde do bairro, como a base de todo o SUS. Na região de Osasco, uma das mais adensadas da Grande São Paulo, o Brasil360 chega com uma proposta simples: mais equipe, melhor organização e dinheiro federal ligado ao cuidado que a população realmente recebe.

O Ministério retomou o financiamento das equipes multiprofissionais e hoje são 6.288 no país. Elas reúnem profissionais como fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, que trabalham junto com as equipes de Saúde da Família fazendo atendimento individual, em grupo e em casa, além de discutir casos e montar planos de cuidado. Isso amplia o que o posto consegue oferecer, inclusive em saúde mental.

O modelo de financiamento tem três partes: a fixa, que considera a realidade do município; o vínculo, que mede o cadastro e o acompanhamento da população; e a qualidade, que avalia os indicadores de boas práticas. Nas cidades com mais de 100 mil habitantes, a referência é de 3 mil pessoas por equipe, e não mais 4 mil. Isso reduz a sobrecarga e dá espaço para consultas com mais atenção.

O e-SUS APS, sistema gratuito feito pelo próprio SUS, ganhou novidades como busca ativa de vacinação, listas de pacientes por condição de saúde, prescrição digital de medicamentos e videochamadas. O novo Sistema de Informação para a Atenção Primária mostra relatórios públicos sobre os repasses federais. A equipe passa a saber quem precisa ser chamado, e o gestor acompanha os resultados.

Na estrutura física, o Novo PAC Saúde prevê 2.600 novas unidades básicas no país e 10 mil conjuntos de equipamentos para unidades em 5.126 municípios. Entre os aparelhos estão eletrocardiógrafo digital, ultrassom de bolso, retinógrafo portátil para exame de vista de quem tem diabetes e espirômetro para exame dos pulmões. Resolver esses exames no posto poupa tempo e dinheiro de quem depende do transporte.

Os profissionais também recebem investimento em formação. Uma portaria de 2025 permite que eles sejam liberados por até 16 horas mensais para cursos e discussões sobre o trabalho,desde que a unidade garanta a continuidade do atendimento. O Mais Médicos, que já conta com 26.756 profissionais ativos, ajuda a completar equipes.

Por que isso é muito bom para a população de Osasco? Porque o cuidado sai do improviso e entra na rotina. A pessoa passa a ser acompanhada por uma equipe que sabe quem ela é, tem à mão o histórico registrado e conta com profissionais de várias áreas no mesmo lugar. Isso significa menos idas e vindas, mais chance de descobrir doenças cedo e mais atenção para quem trata pressão alta, diabetes ou passa por um período difícil emocionalmente.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.

Sobre os autores

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).

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