Quem já trabalhou embarcado sabe: quando acontece uma emergência numa plataforma, o relógio corre diferente. Não dá para “esperar chegar ao hospital”. É por isso que, no universo offshore, capacitação e protocolo não são burocracia: são parte do atendimento.
É nessa linha prática, onde o conhecimento precisa funcionar no mundo real, que se destaca a produção de Renata de Freitas e Silva. Além da atuação executiva em operações de saúde, ela vem consolidando um conjunto de materiais, pesquisas e participações em eventos que ajudam a profissionalizar e padronizar a assistência em áreas remotas, com foco em telessaúde e telemedicina no segmento offshore.
Em 2019, Renata participou do desenvolvimento de um material didático objetivo e direcionado: “Introdutório para o profissional de saúde embarcado nas plataformas de óleo e gás”, publicado como curso EAD no Telessaúde UERJ. A proposta é simples e necessária: dar base técnica para quem atende longe de centros médicos e precisa dominar rotinas, riscos e respostas com segurança: “É uma capacitação inicial, feita para orientar conduta, dar segurança a quem está entrando no mundo offshore e estabelecer um padrão mínimo de preparo para a rotina embarcada, especialmente em unidades de alto risco, onde muitas vezes há apenas um profissional de saúde responsável por até 150 vidas e por protocolos muito diferentes da prática hospitalar”, acrescenta Renata.
Em 2020, Renata aprofundou esse tema na dissertação do Mestrado Profissional em Telemedicina e Telessaúde da UERJ: “A telessaúde como ferramenta de educação permanente dos profissionais de saúde offshore”. O recado é direto: não basta ter tecnologia; é preciso aplicá-la com método para mitigar a lacuna de conhecimento inicial e manter o profissional constantemente atualizado, especialmente diante dos desafios de um ambiente remoto e de alta responsabilidade.
Na prática, o trabalho reforça uma ideia que faz diferença no setor: educação permanente não é evento pontual. É rotina. E telessaúde pode ser o meio para manter profissionais atualizados, alinhados a protocolos e preparados para cenários críticos.
Também em 2019, há o registro de uma produção mais ampla ligada ao campo da saúde digital – “Inovação na pós-graduação stricto sensu em saúde digital: a experiência de 5 anos do mestrado profissional em telemedicina e telessaúde UERJ” – na qual a dissertação de Renata é citada como parte do conjunto de trabalhos do programa. Esse tipo de publicação cumpre um papel importante: organiza a experiência acumulada, mostra o que foi construído e dá visibilidade ao que está dando resultado.
Quando uma área está crescendo rápido, como telemedicina e telessaúde, documentar é tão importante quanto executar. Sem registro, não há escala; sem escala, não há mudança consistente.
Para 2026, consta a obra “Fronteiras da Saúde em áreas remotas: a telemedicina offshore”, com apoio de fomento da FAPERJ, da qual Renata é uma das autoras. O livro oferece uma análise multidimensional da aplicação da telemedicina em ambientes isolados, destacando não apenas seu papel técnico e clínico, mas também sua relevância econômica, educacional e social em contextos onde o acesso tradicional à saúde é inviável. Esse tipo de publicação ajuda a transformar experiência em referência: sai do “cada um faz do seu jeito” e entra num debate mais estruturado, com lições, modelos e caminhos aplicáveis.
Além de escrever e desenvolver material, Renata também vem levando esse conhecimento para eventos estratégicos do setor, falando diretamente com quem define fluxo, equipe, resposta e investimento em saúde offshore.
Em 2023, foi palestrante no Encontro de Saúde da Petrobras para gestores do segmento offshore. No mesmo ano, participou do Saúde Talks da Constellation, abordando Telemedicina Avançada nas unidades offshore e Plano de Resposta e Emergência. Ainda em 2023, palestrou no Encontro de HSE da SBM. Em 2024, falou no Encontro de Saúde dos Enfermeiros Offshore promovido pela Foresea e em 2025 palestrou no Workshop da empresa Perenco voltado para profissionais de saúde offshore.
Esse circuito de apresentações mostra um ponto importante: na área offshore, a telemedicina deixou de ser “tendência” e passou a ser uma obrigatoriedade operacional. Hoje, ela é discutida e aplicada junto com protocolos de emergência, HSE, rotina de atendimento e coordenação de equipe, justamente porque, em um ambiente remoto e de alto risco, o suporte à decisão e a continuidade do cuidado não podem depender de improviso.
Em 2021, Renata foi membro de banca examinadora no Centro Universitário IBMR em um trabalho sobre a atuação do enfermeiro offshore e como lidar com emergências. É um detalhe que diz muito: quem opera bem e também ajuda a formar novos profissionais costuma ser referência no que é aplicável, não apenas no que é conceitual.
Esse circuito de apresentações reforça outro ponto essencial: além de consolidar a telemedicina como parte da rotina offshore, Renata vem ajudando a formar repertório para quem está chegando ao setor e a elevar o padrão das práticas no mercado. Ao compartilhar experiência aplicada, casos e lições de campo, ela contribui para que o conhecimento circule, inspire novos profissionais e se traduza em melhores protocolos, mais consistência na atuação e mais segurança no cuidado em ambientes remotos e de alto risco.
No offshore, isso se traduz em três coisas concretas: equipe melhor treinada, resposta mais organizada e menos improviso quando a situação aperta. E, em áreas remotas, isso pode ser a diferença entre reagir a tempo ou reagir tarde demais.