O vento sopra em diferentes direções nesta semana para três atletas brasileiros que compartilham o mesmo projeto e o mesmo horizonte olímpico. Lucas Fonseca, Mateus Isaac e Valentina Guimarães estão espalhados por três países europeus para disputar competições internacionais de Formula Kite, iQFOiL e ILCA 6.
Em Akyaka, na Turquia, Lucas Fonseca aparece em 10º lugar no Campeonato Europeu de Formula Kite. No Reino Unido, Mateus Isaac ocupa a 20ª posição no Mundial de iQFOiL, em Weymouth e Portland. Já Valentina Guimarães compete em Dún Laoghaire, na Irlanda, e está em 78º no Campeonato Mundial Feminino de ILCA 6.
As regatas das três competições estão previstas até sábado (12). A participação simultânea integra a preparação da Equipe Olímpica LA2028, do Instituto Bons Ventos, para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
O projeto é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte e conta com patrocínio do Grupo Energisa, Icatu Vanguarda e OceanPact.
Lucas Fonseca chega ao momento atual com o melhor desempenho entre os três brasileiros. Em cinco regatas no Europeu de Formula Kite, o maranhense acumulou 18 pontos líquidos. Seus resultados incluem dois quartos e dois quintos lugares, enquanto um oitavo foi descartado.
Mateus Isaac, por outro lado, soma 52 pontos líquidos no Mundial de iQFOiL. O paulista já passou pelas primeiras regatas com um terceiro lugar, dois sétimos e um nono e está entre os 20 primeiros. Guilherme Plentz, do Rio Grande do Sul, ocupa a 98ª posição.
Na Irlanda, Valentina Guimarães tem 142 pontos líquidos. A pernambucana registrou dois 34º lugares, um 31º e um 43º, com o 46º resultado descartado. Ana Carolina Roth está em 94º.
Cada regata também serve como fonte de informação para o trabalho da Equipe Olímpica LA2028. O calendário internacional permite testar equipamentos, medir o desempenho diante de adversários de diferentes países, reunir dados de competição e estabelecer os pontos que serão trabalhados nas próximas etapas do ciclo olímpico.
Para Lucas Fonseca, esse processo tem um alvo específico no horizonte: o Campeonato Mundial de Vela de Fortaleza (CE), previsto para janeiro de 2027.
A preparação de Lucas Fonseca passa pela Turquia
Antes de chegar ao Top 10 do Europeu, Lucas Fonseca já havia construído uma temporada com resultados importantes. Em maio, terminou em quarto no Campeonato Mundial de Formula Kite, em Viana do Castelo, Portugal. Em agosto, conquistou novamente a quarta colocação no Mundial Sub-21, realizado em Urla, na Turquia.
Depois do campeonato Sub-21, o maranhense permaneceu na Turquia e começou a preparação em Akyaka. Juan Sienra é responsável pelo trabalho no local, em conexão com o planejamento de Bruno no Brasil. A preparação dos dois lados é acompanhada por uma troca de informações entre os profissionais.
“O trabalho do Lucas comigo em Akyaka e o do Bruno no Brasil, mesmo em contextos diferentes, estão sendo conduzidos com alta intensidade e muita troca de informações. O objetivo é aproveitar esse período para evoluir tecnicamente, testar conceitos técnicos e equipamentos”, afirmou Juan Sienra, treinador de Lucas Fonseca.
O Europeu, nesse cenário, é tratado pela comissão técnica como uma oportunidade para avaliar o momento do atleta e definir os próximos passos.
“Para o Europeu, vejo o campeonato principalmente como uma etapa importante de preparação. Vamos usar, claro, os resultados, mas principalmente os dados e as situações de competição para entender onde estamos e definir as bases do trabalho dos próximos meses”, explicou Juan Sienra.
A prioridade já está estabelecida.
“O nosso grande objetivo é Fortaleza 2027, então precisamos encarar cada etapa como parte desse processo e sair do Europeu com informações claras sobre o que precisamos desenvolver daqui para frente”, completou.
Mateus Isaac leva experiência olímpica para Weymouth e Portland
Enquanto Lucas Fonseca compete na Turquia, Mateus Isaac enfrenta o Mundial de iQFOiL no Reino Unido. O brasileiro ocupa a 20ª colocação com 52 pontos líquidos e tem entre seus resultados um terceiro lugar, dois sétimos e um nono.
Campeão pan-americano, Mateus chegou com antecedência à região de Weymouth e Portland para se preparar no mesmo local que recebeu as competições de vela dos Jogos Olímpicos de Londres 2012.
O brasileiro também chega ao Mundial depois de uma temporada com conquistas e resultados relevantes. Em 2026, venceu o iQFOiL International Games de Cádiz, na Espanha, e terminou o Campeonato Europeu de Portimão, Portugal, na 15ª posição.
Em julho, a preparação também passou por Los Angeles. Na Long Beach Olympic Classes Regatta, disputada na futura raia olímpica dos Jogos de 2028, Mateus terminou em 13º e garantiu para o Brasil uma vaga na classe para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2027.
“Primeiro temos que classificar para a flotilha ouro, depois chegar à Medal Series. A partir daí, é entrar no último dia com a possibilidade de brigar por uma boa colocação e até pelas medalhas”, completou Mateus Isaac.
Valentina Guimarães encara novo estágio na carreira
Para Valentina Guimarães, o Mundial Feminino de ILCA 6 representa mais um passo na mudança das categorias de base para o circuito adulto. Em Dún Laoghaire, a pernambucana ocupa o 78º lugar após cinco regatas, com 142 pontos líquidos.
A atleta chega à competição depois de disputar, em agosto, o Mundial Júnior de ILCA 6, em Aarhus, na Dinamarca. Entre 122 participantes, terminou em 17º e chegou a ocupar a sétima posição ao longo do campeonato.
Na Irlanda, Valentina tem dois 34º lugares, um 31º e um 43º, enquanto o 46º foi descartado. A competição também exige adaptação às condições locais, especialmente para uma atleta que vem do Nordeste.
“O Mundial é um campeonato extremamente relevante. As melhores atletas do mundo estão aqui na Irlanda. O clima é muito frio, muito diferente para quem vem do Nordeste, como eu. Por isso chegamos cedo para fazer uma adaptação, e os treinos estão sendo muito legais”, afirmou Valentina Guimarães.
A temporada internacional da atleta continuará depois do Mundial. Convocada pelo Time Brasil, Valentina disputará os Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026, na Argentina, na classe ILCA 6. Em dezembro, está prevista ainda sua participação no Mundial da Juventude, em Portugal.
A presença de Lucas Fonseca, Mateus Isaac e Valentina Guimarães em três classes olímpicas diferentes resume a proposta da Equipe Olímpica LA2028: manter os atletas em contato constante com competições de alto nível e utilizar as experiências e informações obtidas em cada evento para orientar o desenvolvimento ao longo do ciclo olímpico.
Realizado pelo Instituto Bons Ventos, o projeto reúne atletas brasileiros que se preparam para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A iniciativa conta com a Lei Federal de Incentivo ao Esporte, patrocínio do Grupo Energisa, Icatu Vanguarda e OceanPact e apoio da Confederação Brasileira de Vela (CBVela).
Instituto Bons Ventos
Fundado por atletas olímpicos, medalhistas pan-americanos, campeões mundiais, gestores esportivos e empresários do setor, o Instituto Bons Ventos trabalha com desenvolvimento esportivo por meio da gestão especializada de projetos, organização de competições e suporte à carreira de atletas.
O propósito da instituição é utilizar o esporte como ferramenta de desenvolvimento social. Para isso, possui experiência na estruturação e viabilização de projetos esportivos por mecanismos de incentivo fiscal, com domínio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte (Lei 11.438/2006) e de legislações correlatas nas esferas estadual e municipal.
A atuação contempla todas as etapas dos projetos, começando pela captação de recursos junto ao mercado e passando pela execução e prestação de contas. Com esse trabalho, o Instituto Bons Ventos busca criar oportunidades para atletas, ampliar o acesso ao esporte e colaborar para a formação de novas gerações dentro e fora das competições.