À medida que os termômetros sobem, um fenômeno preocupante volta a chamar a atenção de especialistas em saúde: o aumento dos casos de pedras nos rins (cálculos renais) durante o verão. Dados de levantamentos nacionais e internacionais apontam para um crescimento de até 30% nos atendimentos relacionados a esse problema na estação mais quente do ano — uma elevação diretamente ligada às altas temperaturas e à desidratação que muitas pessoas enfrentam nesse período.
As pedras nos rins são pequenas formações sólidas de minerais e sais presentes na urina que se aglutinam quando a urina se torna muito concentrada. Esse processo é favorecido pelo calor intenso, aumento da transpiração e consequente perda de líquidos, que fazem o corpo “segurar” mais água — deixando a urina mais densa e propícia à cristalização.
No Brasil, o verão costuma trazer essas combinações de fatores de forma praticamente inerente: calor forte misturado com hábitos que, muitas vezes, não acompanham as necessidades do organismo. E o resultado aparece nos consultórios.
Muitos acreditam que com as chuvas frequentes o calor dá uma trégua e, portanto, não é tão crítico manter a hidratação em dia. Porém, essa percepção está longe da realidade clínica. O corpo continua perdendo água — pelo suor, pela respiração e pela própria função renal — e se a ingestão de líquidos não acompanha essa perda, o risco de formação de cálculos permanece elevado.
Segundo o urologista Dr. Wagner Kono, esse é um erro comum entre os pacientes:
“Mesmo em dias nublados ou chuvosos, a necessidade de água não diminui. A desidratação pode passar despercebida e contribuir para problemas renais, especialmente em épocas em que as pessoas ficam mais tempo fora de casa.”
O principal vilão é a desidratação — quando o corpo perde mais água do que ingere. Durante o verão, com as temperaturas altas e a atividade física maior, as pessoas suam mais e, paradoxalmente, muitas acabam bebendo menos água do que deveriam. Essa tendência também se repete em dias de chuva: a sensação de menor necessidade de hidratação leva ao esquecimento.
“A urina concentrada favorece o acúmulo de sais e minerais. Sem uma reposição adequada de líquidos, esses cristais se juntam e formam pedras. E isso não acontece só com calor extremo, mas sempre que a ingestão de água fica aquém da necessidade do corpo.” — Dr. Wagner Kono
Sintomas e Consequências
As pedras nos rins podem causar dores intensas na região lombar ou abdominal, sangue na urina, náuseas ou vômitos e até infecções se não forem tratadas adequadamente. Estudos clínicos mostram que a maior parte das consultas de urgência relacionadas a esse problema ocorre justamente nos meses mais quentes do ano, quando a combinação de calor e baixa ingestão de água se intensifica.
Especialistas recomendam que a ingestão de líquidos seja constante ao longo de todo o ano, mas especial atenção deve ser dada no verão. Beber água regularmente — mesmo quando não há sede — é uma das medidas mais eficazes para diluir a urina e reduzir a formação de cristalizações que podem evoluir para pedras nos rins.
Dr. Wagner Kono resume bem a recomendação:
“A prevenção é simples, mas exige disciplina: mantenha-se hidratado diariamente. A água é seu principal aliado contra os cálculos renais, não apenas no calor intenso, mas em qualquer época do ano.”
O aumento de casos de pedras nos rins no verão é um reflexo direto do estilo de vida moderno diante de condições climáticas extremas — calor, umidade e mudanças de hábitos. Seja nos meses mais quentes ou mesmo em dias de chuva, a chave para evitar esse problema está na hidratação consciente e contínua. Ignorar essa necessidade básica pode transformar uma estação de lazer em um período de dor e complicações de saúde.
Se houver sinais de dor intensa ou alterações urinárias, a orientação é procurar um especialista em urologia para diagnóstico e cuidados adequados.
Serviço
Verão, Chuva e o Alerta Silencioso: por que as pedras nos rins disparam no calor
Médico urologista Dr. Wagner Kono
Contato: (62)99172-3347
Instagram: @wagnerurologista
(Fotos : Arquivo Pessoal)