O Centro Estadual Comunitário Casa Nem recebeu, na tarde desta quinta-feira, 12 de março, Kelly Medeiros, que no dia 8 de março foi vítima de uma brutal agressão por um homem em seu local de trabalho, o espaço A Garagem Delas, no Centro do Rio. Kelly procurou o equipamento para denunciar o crime de transfobia e tentativa de transfeminicídio.
“A nossa advogada, Letícia Telles, redigiu uma procuração para realizar um aditamento no Registro de Ocorrência, que qualificou o crime apenas como lesão corporal. É de suma importância a correta tipificação nesses casos para que o crime não seja subnotificado e invisibilize os dados reais de violência”, destaca Indianarae Siqueira, coordenadora-geral do equipamento.
“São inadmissíveis e inaceitáveis os alarmantes casos diários de violência, mortes e estupros contra mulheres e meninas em nosso país. Kelly foi agredida com inúmeras pedradas na cabeça, e o agressor ainda repetiu várias vezes que era para ‘aprender a ser homem’”, conta Rafael Gomes, coordenador técnico do Centro Estadual Comunitário Casa Nem, ligado ao programa Rio Sem LGBTIfobia, que faz parte da estrutura da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Estado.
Nota de repúdio
O Centro Estadual Comunitário Casa Nem, por meio de sua coordenadora-geral, Indianarae Siqueira, repudia veementemente as agressões sofridas pela transativista Kelly Medeiros Aquino, que no dia 8 de março foi vítima de uma brutal agressão em seu local de trabalho, localizado no espaço A Garagem Delas, no Centro do Rio — ambiente de resistência que também tem oferecido todo o apoio necessário à vítima.
Segundo relato da vítima, um homem contratado por uma empresa terceirizada para trabalhar no evento promoveu o ataque após ela pedir que ele não jogasse o material de trabalho da equipe no chão.
No Registro de Ocorrência realizado na Delegacia da Mulher, o delegado classificou o caso como “lesão corporal”. Diante das testemunhas, fotos e vídeos, o corpo jurídico do Centro Estadual Comunitário Casa Nem irá solicitar o aditamento do registro para que a violência seja enquadrada como tentativa de transfeminicídio.
Uma pedra arremessada diversas vezes contra a cabeça da vítima não pode ser tratada apenas como lesão corporal.
A Kelly, que é uma amiga dócil e gentil, toda a nossa solidariedade.