Em resumo

Aos 42 anos, William Zenon volta às passarelas como Mister Minas Gerais Tur Master 2026 e mostra que maturidade, saúde e novos desafios não têm idade.

William Zenon volta às passarelas aos 42 anos e mostra que a melhor versão não tem idade
William Zenon

Mister Minas Gerais Tur Master 2026 retorna a uma competição nacional 15 anos depois de seu primeiro título e vive uma preparação marcada por maturidade, saúde, novos desafios e propósito

Quinze anos depois de conquistar seu primeiro título nacional, William Zenon está novamente diante de um grande desafio nas passarelas. Aos 42 anos, o Mister Minas Gerais Tur Master 2026 se prepara para representar o estado no Mister Brasil Tur, levando para a competição uma história bem diferente daquela vivida em 2011, quando, aos 27 anos, conquistou o título de Mister Brasil Model. De lá para cá, muita coisa mudou, inclusive a maneira como ele enxerga o próprio corpo, a idade, os concursos e aquilo que deseja representar ao vestir uma faixa.
A trajetória ajuda a explicar esse novo momento. Cinco anos depois da primeira conquista, em 2016, William voltou a se destacar nacionalmente ao receber o título de Mister Brasil Unificado Sênior, aos 32 anos.
Agora, uma década mais tarde, retorna aos concursos na categoria Master com a experiência de quem já conhece as passarelas, mas também com a consciência de que não é possível, e nem desejável, ser o mesmo homem de quinze anos atrás.
Se aos 27 anos a preparação estava naturalmente muito ligada à estética e à vontade de conquistar um título, aos 42 o processo ganhou um significado mais amplo. A boa forma continua sendo importante, afinal faz parte de uma competição desse gênero, mas deixou de ser uma busca isolada pelo resultado que aparece no espelho. Hoje, os cuidados com o corpo estão diretamente relacionados à saúde, à disposição, à qualidade de vida e, sobretudo, à compreensão de que envelhecer bem exige atenção tanto ao físico quanto à mente.
Aos 40, muda o corpo e também a maneira de cuidar dele
A preparação atual passa por atividade física, alimentação, acompanhamento profissional e cuidados estéticos, mas parte de uma percepção que o amadurecimento tornou mais clara: “cuidar do corpo depois dos 40 não significa tentar recuperar o corpo dos 20”.
A proposta é outra. É entender as mudanças que chegam com o tempo e buscar uma versão saudável, ativa e confiante de si mesmo em cada fase da vida. Nesse processo, estética e saúde não precisam ocupar lados opostos. É possível querer melhorar a aparência, cuidar da pele, perder medidas ou ganhar condicionamento físico e, ao mesmo tempo, compreender que nenhum resultado estético faz sentido quando conquistado às custas da saúde física ou emocional.
Essa talvez seja uma das principais diferenças entre o William que entrou nas passarelas em 2011 e aquele que se prepara para o concurso nacional em 2026. A experiência não eliminou a vaidade, a vontade de competir ou o desejo de conquistar um novo título, mas acrescentou outras prioridades e trouxe uma relação mais consciente com a própria imagem.
Também trouxe a percepção de que completar 40 anos não significa entrar em uma fase de limitações. Para muitas pessoas, é justamente nesse período que surgem novos projetos profissionais, mudanças de hábitos, cuidados que foram adiados durante anos e até sonhos que pareciam pertencer a outra fase da vida. Ao retornar aos concursos aos 42 anos, William acaba levando para a passarela uma mensagem que encontra identificação fora dela: não existe uma idade determinada para se reinventar.
De 2011 a 2026: a experiência também entra na passarela
Ter vivido diferentes momentos dentro dos concursos de beleza masculina influencia diretamente sua preparação atual. O jovem de 27 anos que conquistou o Mister Brasil Model em 2011 tinha expectativas, prioridades e uma visão de mundo próprias daquela fase. Aos 32, quando veio o título de Mister Brasil Unificado Sênior, em 2016, já havia uma nova bagagem. Agora, aos 42, a experiência profissional e pessoal acumulada ao longo desses quinze anos mudou também a forma de compreender o significado de representar um título.
A maturidade aparece na postura, na comunicação, na segurança diante das câmeras e na maneira de lidar com a exposição, mas talvez apareça ainda mais naquilo que se pretende fazer com ela. Hoje, William entende que conquistar visibilidade pode ser também uma oportunidade para estimular discussões que ultrapassam a estética e o universo dos concursos.
É nesse contexto que surge uma das causas que pretende ajudar a colocar em evidência: a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a importância de não restringir o debate sobre investigação e diagnóstico apenas à infância.

Autismo também é assunto de adulto

Embora a conscientização sobre o autismo tenha avançado muito nos últimos anos, grande parte das informações e campanhas ainda está concentrada na infância. Com isso, muitas pessoas chegam à vida adulta carregando dúvidas sobre comportamentos, dificuldades e características que estiveram presentes durante anos, mas que nunca foram devidamente investigadas.
Falar sobre o tema não significa incentivar autodiagnósticos, mas justamente o contrário: significa mostrar que, diante de sinais e questionamentos persistentes, buscar informação e avaliação de profissionais qualificados pode ser importante em qualquer fase da vida. Uma investigação realizada na idade adulta pode contribuir para o autoconhecimento, para a compreensão de experiências vividas ao longo dos anos e, quando necessário, para a identificação de estratégias que proporcionem mais qualidade de vida.
Ao trazer o assunto para um espaço tradicionalmente associado à beleza, ao turismo e ao entretenimento, William pretende colaborar para que essa conversa alcance públicos diferentes. Para ele, a faixa naturalmente desperta atenção, mas é a maneira como essa visibilidade é utilizada que pode transformar um título em algo que ultrapasse a própria competição.

A maturidade como parte da preparação

O retorno às passarelas, portanto, não representa uma tentativa de reviver 2011. Ao contrário, parte justamente da valorização de tudo aquilo que aconteceu desde então. O corpo mudou, a carreira avançou, novas responsabilidades surgiram e a própria percepção sobre sucesso se transformou. Se antes vencer estava muito relacionado ao resultado de uma competição, hoje existe também a preocupação com aquilo que permanece depois dela.
É justamente aí que a categoria Master ganha um significado especial. Ela permite mostrar uma beleza masculina que não está necessariamente associada à juventude, mas também à segurança, experiência, cuidado pessoal e capacidade de continuar construindo novos projetos. Em uma sociedade que frequentemente estabelece prazos para o sucesso, para a aparência e até para os sonhos, ocupar uma passarela nacional depois dos 40 também pode ser uma forma de questionar essas regras não escritas.
William Zenon chega ao Mister Brasil Tur carregando três momentos diferentes de uma mesma história: o jovem de 27 anos que conquistou seu primeiro título nacional em 2011, o homem de 32 que voltou a vencer em 2016 e o candidato de 42 anos que, em 2026, retorna com outra percepção sobre o que significa estar ali.
A vontade de conquistar uma nova faixa permanece, assim como a disciplina necessária para chegar bem preparado à competição. A diferença é que, desta vez, o resultado que ele busca não está apenas no palco ou no espelho, mas também na possibilidade de mostrar que cuidar da aparência pode caminhar ao lado da saúde, que maturidade não significa abrir mão de novos desafios e que chegar aos 40 pode representar não o encerramento de uma trajetória, mas o começo de uma fase ainda mais consciente dela.
Quinze anos depois de seu primeiro título nacional, William não volta às passarelas para tentar ser novamente o Mister de 2011. Volta para mostrar quem se tornou desde então, e que a melhor versão de alguém não precisa estar no passado.

Foto: Célio Costa
Instagran: @celiocostafotografo
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