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Arte também é terapia?

Especialistas explicam como o fazer artístico contribui para a saúde mental e listam seus principais benefícios

Embora seja muitas vezes provocativa, crítica e instigante, a arte e o fazer artístico têm ganhado cada vez mais espaço como aliadas no cuidado com a saúde mental, tanto em práticas terapêuticas quanto no cotidiano. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que atividades como ouvir música, dançar, frequentar teatros ou visitar museus podem trazer benefícios duradouros à saúde emocional, além de impactar positivamente a autoestima.

No Brasil, o uso da arte como ferramenta terapêutica tem raízes importantes. Na década de 1940, a psiquiatra alagoana Nise da Silveira revolucionou sua área de atuação ao substituir tratamentos agressivos, como eletrochoques e intervenções exclusivamente medicamentosas, por atividades artísticas voltadas à expressão das emoções de seus pacientes. A iniciativa marcou uma mudança de paradigma no cuidado em saúde mental, priorizando abordagens mais humanizadas.

Desde então, a chamada arteterapia se expandiu, se popularizou e passou por um processo de profissionalização. Hoje, é utilizada não apenas em tratamentos psiquiátricos, mas também em processos de desenvolvimento pessoal, reabilitação e promoção do bem-estar físico e mental. A prática é reconhecida pela OMS como uma estratégia válida de cuidado e, no Brasil, integra o conjunto de práticas integrativas e complementares oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

No campo da regulamentação, a profissão de arteterapeuta também avança no país. Um projeto aprovado pela Comissão de Educação do Senado prevê que, para atuar na área, será necessária formação específica, em nível de graduação ou especialização, ou comprovação de experiência prática por, no mínimo, quatro anos.

Segundo o Dr. Luis Bochenek, médico e professor de psiquiatria da Afya Goiânia reconhecimento institucional da arteterapia reforça sua relevância clínica. “A arteterapia não substitui tratamentos convencionais, como medicação ou psicoterapia. Atua como complemento, potencializando os resultados ao ampliar formas de expressão e ajudar na redução de sintomas como ansiedade e estresse, além de fortalecer vínculos e promover o bem-estar”, afirma.

Para a Dra. Mariana Ramos, professora de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, a arte vai além da expressão estética e se consolida como um recurso terapêutico relevante. “Nem sempre conseguimos nomear o que sentimos, e a arte permite expressar emoções e conflitos de forma simbólica, o que facilita o contato com conteúdos internos e amplia a possibilidade de elaboração emocional”, explica.

Segundo a psicóloga , o processo criativo pode atuar tanto no campo psicológico quanto no fisiológico. “Há evidências de que atividades artísticas ajudam a reduzir o estresse e favorecem estados de maior equilíbrio emocional, independentemente de experiência prévia com arte”, afirma.

Ela também destaca que o valor terapêutico não está no resultado final, mas na experiência. “O foco não é produzir algo bonito, mas permitir que o sujeito se envolva no processo, o que contribui para autoconhecimento e regulação emocional”, completa. Além do contexto clínico, o contato com ambientes culturais também desempenha um papel importante. Museus, exposições e apresentações artísticas podem funcionar como pausas no cotidiano acelerado, estimulando reflexão, conexão e organização emocional

Dr. Luis acrescenta que esse impacto positivo da arte também pode ser compreendido do ponto de vista neurobiológico. “Atividades artísticas estimulam a liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina, substâncias diretamente associadas às sensações de prazer e bem-estar”, explica. Segundo ele, esses neurotransmissores não atuam apenas no cérebro, mas têm efeitos sistêmicos e estão envolvidos na regulação do humor, do sono, do apetite e do comportamento.

O especialista destaca ainda que o fazer artístico pode favorecer a plasticidade cerebral e otimizar o uso desses neurotransmissores pelo organismo, o que ajuda a entender a redução de sintomas de ansiedade e depressão. “A arteterapia amplia essa atividade neurobiológica de forma benéfica e se torna uma importante aliada no cuidado em saúde mental”, complementa.

11 dos principais benefícios da arte para a saúde mental, segundo os especialistas:

  1. Redução do estresse e dos níveis de cortisol

  2. Melhora da regulação emocional

  3. Facilitação da expressão de sentimentos difíceis

  4. Diminuição de pensamentos repetitivos negativos (ruminação)

  5. Estímulo ao autoconhecimento

  6. Promoção de estados de atenção plena (semelhantes ao mindfulness)

  7. Fortalecimento da autoestima e do senso de identidade

  8. Apoio na elaboração de experiências traumáticas

  9. Redução da ansiedade

  10. Contribuição na prevenção de transtornos mentais

  11. Estímulo à conexão social e ao senso de pertencimento

Sobre a Afya

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br eir.afya.com.br.

Médicos em Movimento

No mês em que se celebra o Dia Mundial da Saúde, a Afya promove a campanha Médicos em Movimento, iniciativa que incentiva o autocuidado entre médicos e estudantes de medicina. Em 2026, a campanha está estruturada em três frentes: conteúdo, com publicações sobre bem-estar e qualidade de vida; engajamento, com desafios de atividade física no aplicativo Strava; e experiências presenciais em todo o Brasil. A programação inclui o patrocínio de corridas em diferentes regiões, a primeira delas em Salvador, além de atividades nas unidades de graduação ao longo do mês, ampliando a mobilização e incentivando hábitos saudáveis entre profissionais da saúde e toda a comunidade. Saiba mais em: https://institucional.afya.com.br/dia-mundial-da-saude-2026/

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