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Milhões de meninas e mulheres ainda carecem de infraestrutura e itens básicos para cuidados menstruais no Brasil

No Dia da Dignidade Menstrual (28.05), especialistas alertam para a urgência do combate à pobreza menstrual, que ainda afeta muitas brasileiras, mesmo com a ampliação de políticas públicas.

A pobreza menstrual ainda faz parte da realidade de milhões de meninas e mulheres no Brasil e vai muito além da falta de absorventes. Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), cerca de uma em cada quatro brasileiras enfrenta dificuldade para ter acesso adequado a itens de higiene menstrual. O problema também envolve falta de saneamento básico, dificuldade de acesso à informação, ausência de banheiros adequados e impactos diretos na saúde, na autoestima e na educação.

Na prática, muitas adolescentes deixam de frequentar a escola durante o período menstrual por não terem condições de comprar absorventes ou por sentirem vergonha e insegurança. Em alguns casos, a menstruação acaba se tornando um fator de exclusão social, afetando o desempenho escolar, o convívio social e até a saúde emocional.

A falta de acesso a produtos adequados também faz com que muitas mulheres recorram a alternativas improvisadas, como papel higiênico, panos, jornais ou outros materiais inadequados, aumentando o risco de irritações, alergias e infecções ginecológicas. Nos últimos anos, o tema passou a ganhar mais espaço nas discussões sobre saúde pública e direitos básicos, principalmente por afetar diretamente a dignidade e a qualidade de vida de milhões de brasileiras.

Para a Dra. Tatiana Chaves, médica e professora de Ginecologia da Afya Brasília, garantir acesso à higiene menstrual adequada é uma questão essencial de saúde. “A menstruação é um processo natural, mas a ausência de condições mínimas de higiene pode provocar infecções, irritações e alterações no pH vaginal, favorecendo a proliferação bacteriana. Muitas adolescentes acabam normalizando situações inadequadas por falta de informação ou de acesso a orientações adequadas. Infelizmente, nem todas as pré-adolescentes possuem acesso à informação profissional especializada, e muitas vezes também faltam orientações básicas dentro de casa, o que dificulta ainda mais o cuidado com a saúde íntima”, explica.

A especialista destaca que a pobreza menstrual está diretamente ligada à desigualdade social e afeta não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional e a trajetória escolar de muitas adolescentes. “Muitas meninas faltam às aulas por não terem acesso a absorventes, banheiros adequados ou por medo de sofrer constrangimentos. O vazamento menstrual, por exemplo, ainda é cercado de vergonha e julgamento, quando deveria ser tratado com naturalidade e acolhimento. Esse tabu é antigo e já deveria ter sido superado, porque a menstruação é um processo fisiológico natural”, afirma.

Segundo a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, o silêncio em torno da menstruação contribui diretamente para sentimentos de exclusão, insegurança e vergonha corporal. Para ela, quando uma menina deixa de frequentar ambientes sociais, evita a escola, se afasta de atividades esportivas ou sente vergonha do próprio corpo por não conseguir lidar com a menstruação de forma segura, isso impacta diretamente sua autoestima, sua sensação de pertencimento e até a construção da própria identidade.

A psicóloga ressalta que o sofrimento emocional relacionado à pobreza menstrual vai além da falta do absorvente. “Muitas adolescentes convivem com medo de exposição, vergonha constante e sensação de inadequação. Na prática clínica, isso pode gerar ansiedade, retraimento social, insegurança emocional, dificuldade de participação coletiva e prejuízos importantes na autoconfiança. A adolescência é um período muito importante para a construção da relação com o próprio corpo, e quando esse processo acontece cercado por silêncio, culpa ou privação, os impactos emocionais podem ser significativos”, enfatiza a profissional.

As especialistas defendem que enfrentar a pobreza menstrual exige mais do que a distribuição de absorventes. O debate também envolve acesso à informação, saneamento básico, educação menstrual, acolhimento emocional, permanência escolar e políticas públicas que garantam condições mínimas de saúde, dignidade e inclusão social para mulheres e meninas.

Onde buscar ajuda e acesso gratuito a absorventes

Mulheres e adolescentes em situação de vulnerabilidade podem procurar apoio em diferentes serviços e espaços da rede pública e social. Entre eles:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que podem orientar sobre acesso a absorventes gratuitos e cuidados com a saúde íntima;

  • Escolas públicas, que em algumas cidades já oferecem itens de higiene menstrual para estudantes;

  • Centros de Referência de Assistência Social (CRAS e CREAS);

  • Organizações sociais, projetos comunitários e coletivos femininos que realizam distribuição gratuita de absorventes;

  • Farmácias credenciadas em programas de distribuição gratuita de absorventes.


Sobre a Afya


A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.768 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.

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