Avanço da IA reacende debate sobre empatia nas relações humanas
Divulgação
  • Uso crescente de assistentes
    virtuais para conversas pessoais revela mudança de comportamento e levanta
    dúvidas sobre o futuro do relacionamento entre pessoas e a tecnologia

A inteligência artificial
começou ocupando funções práticas no dia a dia, mas passou a desempenhar um
papel inesperado na vida de muita gente: o de interlocutora para assuntos
pessoais. Conversas sobre inseguranças, perdas, conflitos familiares e
ansiedade têm migrado para plataformas digitais, em um movimento que chamou a
atenção de pesquisadores e empresas de tecnologia.

Em recente pesquisa do
Instituto Locomotiva, mostrou que uma parcela significativa dos brasileiros já
compartilhou com sistemas de IA informações que nunca havia contado a outras
pessoas. O dado sugere que essas ferramentas deixaram de ser vistas apenas como
utilitárias e passaram a integrar a esfera emocional dos usuários.

Para Marcos Alves, fundador
e CEO da Hal-AI, o fenômeno não permite concluir, por si só, que as máquinas
tenham desenvolvido sentimentos ou consciência. O que pode ser observado é que
sistemas de IA conseguem reproduzir, com crescente sofisticação, padrões de
comunicação associados à atenção, à escuta e ao acolhimento.

“É importante separar aquilo
que conseguimos observar daquilo que ainda não conseguimos determinar. Podemos
avaliar o comportamento de uma IA: ela reconhece contexto, adapta a linguagem e
produz respostas que podem ser percebidas como empáticas. Se existe por trás
desse comportamento algum tipo de experiência subjetiva comparável ao que chamamos
de sentimento ou consciência é outra questão. Afirmar categoricamente que
existe — ou que não existe — seria ir além do que podemos demonstrar hoje”,
afirma.

A força da presença
constante

Um dos fatores que ajudam a
explicar essa aproximação é a disponibilidade permanente. Enquanto relações
humanas dependem de tempo, disposição e reciprocidade, os sistemas digitais
estão acessíveis a qualquer momento e mantêm o mesmo tom de conversa do início
ao fim. De acordo com Alves, essa previsibilidade reduz a ansiedade de quem
busca alguém para conversar.

“Há pessoas que evitam
desabafar por medo de incomodar, de serem interrompidas ou de receberem uma
reação negativa do outro. Com a inteligência artificial, essa barreira
praticamente desaparece”, pondera.

O executivo observa que a
tecnologia vem sendo incorporada inclusive em projetos de apoio emocional e
atendimento em saúde, sempre como complemento e não como substituição do
contato humano.

O que a tecnologia revela
sobre nós

Para o fundador da Hal-AI, o
crescimento desse tipo de interação expõe uma dificuldade contemporânea de
escuta. Em um ambiente marcado por excesso de informação e pouco tempo
disponível, muitas conversas acontecem de forma apressada, o que aumenta a
percepção de isolamento.

“A inteligência artificial
acabou se tornando um termômetro social. Quando alguém prefere conversar com um
sistema, isso diz muito sobre a qualidade das conexões que essa pessoa encontra
ao seu redor”, afirma.

Na avaliação dele, a
tecnologia funciona mais como reflexo de uma carência coletiva do que como evidência
de que máquinas possuam uma experiência emocional superior à humana.

O limite entre apoio e
substituição

Embora reconheça o potencial
da IA para ampliar o acesso a orientação e suporte inicial, Alves alerta para o
risco de ela ocupar espaços que deveriam ser preenchidos por vínculos reais.

“Relacionamentos humanos
envolvem divergências, cuidado mútuo, frustração e construção conjunta. Se a
pessoa passa a buscar apenas interações sem conflito, perde oportunidades
importantes de desenvolvimento emocional”, afirma.

A discussão ganha relevância
em um momento em que empresas de tecnologia investem em sistemas capazes de
manter histórico de conversas por longos períodos e adaptar a comunicação ao
perfil de cada usuário.

Para Alves, o desafio dos
próximos anos será equilibrar inovação e convivência humana. “A questão central
não é impedir o avanço da IA. É garantir que ela fortaleça as relações entre
pessoas em vez de se tornar um atalho para substituir presença, escuta e
afeto”, conclui.

Sobre Marcos Alves
Marcos Alves é fundador e CEO da Hal-AI, empresa brasileira de
inteligência artificial que desenvolve sistemas agênticos com memória de longo
prazo adaptativa. Alves é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade
Federal de Juiz de Fora (UFJF). É Senior Member do Institute of Electrical and
Electronics Engineers (IEEE) e vencedor do prêmio máximo do IEEE
Entrepreneurship Region 9, sendo reconhecido internacionalmente por sua
excelência técnica e liderança no ecossistema de Inteligência Artificial.

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