Desafios e estratégias para startups brasileiras no mercado de IA

Desafios e estratégias para startups brasileiras no mercado de IA

Felipe Cardoso
Atualizado: 25/02 16:14
4 min de leitura 3.3k

A construção de uma marca sólida e o posicionamento estratégico são essenciais para startups que almejam se consolidar no setor de IA na América Latina.

No cenário atual, a inteligência artificial se mostra como ferramenta essencial para transformar e impulsionar empresas, especialmente startups que buscam inovação. Em conversas com executivos do setor, Gustavo Araujo, CIO da Distrito, uma empresa que atua como hub de inovação para startups, e Mónica Medina, especialista da MoJo, discutem como o Brasil se destaca no mercado de IA na América Latina, explorando tanto os desafios quanto as estratégias para startups que desejam competir de forma original no mercado.

As quatro ondas da IA

Segundo o CIO, o desenvolvimento da IA pode ser entendido em quatro ondas distintas. “A primeira onda nasce na academia, com iniciativas como o ChatGPT e a OpenAI, lideradas por cientistas e PhDs que criam propriedade intelectual e estabelecem a base para um novo ciclo tecnológico,” explica. Ele destaca que, diferentemente de países com grande produção científica, o Brasil e outros países da América Latina ficaram de fora dessa primeira fase.

A segunda onda corresponde às empresas AI Core, que desenvolvem tecnologia,

algoritmos e plataformas para expandir a adoção da IA no mercado. Em seguida, na terceira onda, entram as empresas AI Enable, que já incorporaram a IA em suas operações de maneira que ela se torne essencial para a competitividade do negócio.

Por fim, a quarta onda representa a adoção de IA pelas corporações incumbentes, as grandes empresas que estão começando a integrar essa tecnologia. “No Brasil, estamos observando este movimento de forma lenta ainda, com algumas corporações ainda em fase de testes com a IA, mas ele deve se intensificar nos próximos anos”, prevê o CIO, reforçando que cada uma dessas ondas desempenha um papel fundamental na maturação do mercado de IA.

O papel da América Latina na cadeia de inovação de IA

Comparando o Brasil com outros países da América Latina, os executivos concordam que a região ainda está se desenvolvendo em termos de inovação inicial em IA. O CIO explica que “o Brasil e outros países latino-americanos ficam fora da ‘primeira onda’ de inovação, que acontece em centros de pesquisa e desenvolvimento de alta tecnologia em lugares como os EUA e Europa”. Segundo ele, a falta dessa infraestrutura avançada de pesquisa limita o desenvolvimento de soluções próprias.

Com experiência no México, Brasil e outros países, Mónica Medina avalia que, mesmo que o Brasil lidere a captação de investimentos em IA na América Latina, a região como um todo precisa enfrentar desafios comuns. “Embora o País tenha um destaque em investimentos, precisamos superar a falta de infraestrutura robusta que dificulta o desenvolvimento de tecnologias próprias de IA e colocar mais energia em atrair parcerias que complementem nossa inovação,” comenta ela. Mónica acredita que pensar globalmente desde o início é um diferencial que pode impulsionar o crescimento e a competitividade no cenário de IA.

Desafios e estratégias de especialização para startups

Para o CIO, o segredo para as startups é a especialização em nichos nos quais a IA possa oferecer uma vantagem real. “Empresas menores conseguem se destacar ao focar na verticalização, em áreas especializadas, nas quais a grande indústria tem mais dificuldade em se mover rapidamente, como segurança do trabalho ou saúde. São mercados nos quais agentes de IA especializados podem fazer uma diferença significativa”, afirma ele.

Mónica complementa essa análise destacando a importância de adaptar a tecnologia para as necessidades regionais. “Empresas que personalizam suas soluções para os desafios locais conseguem se conectar de forma muito mais profunda com o mercado, algo que faz uma diferença em nossa região”, comenta.

Perspectivas para a IA no Brasil e na América Latina

Ainda que a adoção de IA esteja apenas começando nas grandes corporações latino-americanas, o CIO Gustavo Araujo, projeta um cenário mais avançado em um futuro próximo: “Em 2025, acredito que a IA será adotada de forma consistente em muitos setores, impulsionando investimentos em startups locais especializadas.” Para ele, a regulamentação e o amadurecimento das políticas de IA trarão um novo nível de confiabilidade e estabilidade para o mercado.

Mónica ressalta a importância de uma estratégia de longo prazo para as startups interessadas em aproveitar essa tendência. “A construção de uma marca forte e uma reputação confiável é essencial para o destaque de qualquer empresa. Startups que investem em posicionamento digital e entendem as necessidades e momentos do cliente têm mais chances de se consolidar no mercado em transformação,” ela explica, destacando que o papel da IA vai além da tecnologia e envolve criar uma conexão com o público.

Caminhos para o futuro

A América Latina é um ambiente propício para inovação em IA e as startups brasileiras estão à frente de uma oportunidade única de crescimento para se estabelecerem de forma sólida. Como Mónica conclui, “reitero que ter sucesso neste setor vai além da inovação, e envolve um trabalho cuidadoso de construção de marca e posicionamento estratégico.” Em uma região com potencial de expansão, alavancar parcerias estratégicas e plataformas especializadas como a Distrito, a MoJo e outras pode ser decisivo para o crescimento sustentável e a presença de mercado de longo prazo.

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