Desafios emocionais marcam a volta às aulas e exigem atenção redobrada de pais e escolas

Desafios emocionais marcam a volta às aulas e exigem atenção redobrada de pais e escolas

Luana Souza
Atualizado: 10/02 15:22
2 min de leitura 82

O início do ano letivo movimenta milhões de estudantes em todo o país, mas, além da compra de materiais e uniformes, o período traz à tona desafios estruturais e emocionais que impactam diretamente o bem-estar dos alunos. A transição entre o descanso das férias e a retomada das responsabilidades acadêmicas é um terreno fértil para a ansiedade, especialmente quando envolve mudanças de escola, novos professores ou colegas.

De acordo com a psicanalista Andrea Ladislau, o momento é marcado por um conflito de expectativas. Enquanto alguns celebram o reencontro, para outros o cenário é de apreensão.

“Psicanaliticamente falando, temos que ressaltar o aspecto relativo às expectativas que são criadas nesse momento. Alguns alunos desejam o retorno enquanto outros, se pudessem, prolongariam ainda mais o descanso. Mas como tudo tem prazo de validade e a responsabilidade do estudo exige a retomada da rotina, a volta às aulas para alguns pode ser o momento feliz de reencontrar os amigos, e para outros o pesadelo de começar tudo novamente”, explica Ladislau.

A quebra da flexibilidade típica das férias é um dos principais gatilhos para o desconforto emocional. O retorno de horários rígidos de sono, a necessidade de uma alimentação regrada e o aumento das atividades curriculares chocam-se com a resistência à diminuição do uso de redes sociais e jogos eletrônicos.

A insegurança diante do novo e a pressão por provas e testes criam um ambiente de tensão. Segundo a especialista, o ambiente escolar torna-se um “palco da diversidade de sentimentos”, oscilando entre a euforia do convívio social e o desânimo pela pressão acadêmica.

Estratégias de adaptação
Para garantir que o ano letivo seja leve e educativo, o alinhamento entre família e instituição de ensino é apontado como fundamental. Vale destacar que o cuidado com a saúde mental é um direito garantido por lei e deve ser prioridade.

Ações recomendadas para suavizar a transição:
• Em casa: Manter diálogos constantes para trabalhar as expectativas, aplicar um planejamento que intercale estudo e lazer e racionalizar o uso de telas.
• Na escola: Oferecer apoio psicológico, promover um ambiente inclusivo e acolhedor e manter canais abertos de interlocução com os alunos.

A psicanalista reforça a importância de um olhar empático para evitar que a interrupção das férias se transforme em sofrimento emocional precoce.

“É preciso atender ao coletivo de forma segura, saudável, empática e com muito afeto. Um afeto extensivo a todos os envolvidos na mais linda missão de educar e transmitir o conhecimento ao próximo”, finaliza Andrea Ladislau.

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