Do oceano ao reencontro: campeões da Globe40 voltam à REFENO com novos desafios a bordo
Flávio Perez / On Board 360

O Marco Zero do Recife será o ponto de partida para uma travessia de aproximadamente 560 quilômetros pelo Atlântico. Neste sábado (19), às 12h, quase 100 veleiros partem rumo a Fernando de Noronha na 37ª REFENO, entre eles duas embarcações do Barco Brasil comandadas por nomes que acabaram de completar uma volta ao mundo.

José Guilherme Caldas e Luiz Bolina passaram oito meses navegando juntos durante a Globe40 2025/2026. Agora, retornam à REFENO em barcos diferentes. José Guilherme estará no Mussulo III – Barco Brasil, enquanto Bolina conduzirá o Tutatis.

Serão cerca de 300 milhas náuticas até Fernando de Noronha. Antes da largada, o Marco Zero também receberá o público para acompanhar a saída dos barcos e uma programação cultural especial.

“Voltar à REFENO depois de uma volta ao mundo tem um significado enorme para nós. Foi uma das regatas em que construímos nossa parceria, aprendemos muito sobre navegação oceânica e vivemos grandes conquistas. Agora voltamos depois da Globe40, com dois barcos do projeto e duas tripulações diferentes. É uma forma muito especial de abrir um novo capítulo do Barco Brasil”, afirma José Guilherme Caldas.

Duas embarcações, duas propostas

No Mussulo III, José Guilherme terá ao seu lado Carlos Eduardo Campos Maia, Paul Peggs, Pip Hare, Marcelo Malagutti, Renato, Debora e Rodrigo, incluindo integrantes que fizeram parte da campanha da Globe40.

Pip Hare chega à prova com duas participações na Vendée Globe. Na edição 2020/2021, a britânica terminou a competição em solitário, sem escalas e sem assistência, na 19ª colocação. Seu histórico também inclui a Route du Rhum, a Transat Jacques Vabre e a Rolex Fastnet Race.

Paul Peggs também traz experiência em circunavegação. Ele fez parte da equipe vice-campeã da Global Ocean Race 2011/2012, competição de 31.800 milhas náuticas para Class40. O velejador ainda disputou a Round Britain and Ireland Race e a Rolex Fastnet Race.

O Mussulo III é um Bavaria Cruiser de 55 pés que já participou cinco vezes da REFENO. Em todas essas edições, o barco chegou ao pódio de sua classe. A embarcação também acumula outras travessias e disputas oceânicas.

No Tutatis, Luiz Bolina viverá uma experiência de outro tipo. O velejador fará a travessia acompanhado pelas filhas, em sua oitava participação na REFENO.

O RO 400 de 40 pés participará pela quarta vez da prova. A travessia acontece poucos meses depois de Bolina e José Guilherme completarem mais de 30 mil milhas navegando juntos ao redor do planeta.

“Depois de tudo o que vivemos na Globe40, voltar para a REFENO já seria especial. Mas desta vez vou estar com as minhas filhas a bordo, no Tutatis, enquanto o Zé estará no Mussulo. É outra forma de viver o mar e uma experiência que eu queria muito dividir com elas. A REFENO sempre trouxe momentos marcantes para mim e esta será diferente de todas as outras”, destaca Luiz Bolina.

O passado também estará presente na travessia

A relação dos dois velejadores com a REFENO antecede a experiência na Globe40. José Guilherme venceu oito edições da travessia. Bolina conquistou títulos ao lado dele em 2015, 2018 e 2024.

Além dos títulos, Bolina foi vice-campeão em 2022 e terminou em terceiro em 2023. Já em 2024, José Guilherme conduziu o Barco Brasil Mussulo à vitória na Bra-RGS A e obteve a segunda posição na classificação geral da Bra-RGS.

A participação deste ano acrescenta uma nova configuração a esse histórico. Pela primeira vez desde a conquista da volta ao mundo, os dois estarão na mesma REFENO como comandantes de diferentes barcos do Barco Brasil, com tripulações distintas e a bagagem acumulada na Globe40.

Histórias da volta ao mundo chegaram ao público

Antes de enfrentar novamente o Atlântico, José Guilherme e Luiz Bolina compartilharam parte da experiência vivida na Globe40 em um encontro realizado na quarta-feira (16).

A apresentação “Cada minuto conta: a experiência do Barco Brasil na Globe40” ocorreu no Cabanga Iate Clube de Pernambuco e reuniu um auditório lotado. Preparação, rotina a bordo, planejamento, resistência, tomada de decisões e os principais desafios da competição fizeram parte do relato dos velejadores.

Na edição 2025/2026 da Globe40, a dupla venceu três etapas, conquistou três segundos lugares e terminou como campeã da categoria Sharp. Na classificação geral, ficou em terceiro. José Guilherme e Bolina também estiveram entre as poucas duplas que completaram a circunavegação sem revezamento de velejadores.

37ª REFENO

Largada da regata: sábado (19 de setembro), às 12h
Local: Marco Zero, Recife (PE)
Chegada: Fernando de Noronha (PE)
Percurso: 300 milhas náuticas
Barco Brasil: Barco Brasil Mussulo III – Bavaria 55, comandado por José Guilherme Caldas; e Barco Brasil Tutatis – RO 400, comandado por Luiz Bolina

Barco Brasil projeta próxima etapa após a Globe40

A conquista da Globe40 2025/2026 colocou o Barco Brasil como vencedor inédito da regata de volta ao mundo, descrita como o mais duro desafio em duplas do esporte mundial. A história dessa campanha será contada no book fotográfico “Cada Minuto Conta” e em um documentário homônimo, ainda a ser lançado.

O projeto foi criado com o objetivo de fortalecer a cultura náutica brasileira e dar maior visibilidade à campanha de prevenção e tratamento do AVC, segunda maior causa de incapacitação física no mundo.

José Guilherme Caldas e Luiz Bolina integram a equipe. José Guilherme Caldas ocupa os cargos de Professor Livre-Docente do Departamento de Radiologia da Univesrsidade de São Paulo (USP), Chefe do Serviço de Neurorradiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da USP e Coordenador Médico do Hospital Sirio Libanês. Luiz Bolina é Professor de Wingfoil e Vela Oceânica e Day Charter.

O projeto dispõe do Class40 151, utilizado na Globe40, além de outros três barcos: Mussulo 50, Tutatis e HPE25.

Depois da REFENO, o próximo passo do Barco Brasil será preparar velejadores e velejadoras brasileiros para competir em barcos Class40, com a terceira edição da Globe40 prevista para 2028/2029. A proposta é aproveitar o intervalo até a próxima volta ao mundo para aumentar a experiência de tripulantes brasileiros em diferentes embarcações e competições.

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