Uma competição esportiva pode movimentar muito mais do que atletas, clubes e organizações. Hotéis, restaurantes, transporte, tecnologia, comércio e comunicação também fazem parte dessa cadeia. É sobre ampliar essa visão que o Instituto Sou do Esporte começa, em setembro de 2026, a segunda edição do PIB do Esporte.
A iniciativa dará sequência ao levantamento que chegou a R$ 183,4 bilhões para o PIB do Esporte em 2023, valor equivalente a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A primeira edição também identificou mais de 3,3 milhões de empregos gerados pelo setor.
O novo estudo, previsto para ser concluído no segundo semestre do próximo ano, pretende aprofundar áreas que não puderam ser contabilizadas integralmente anteriormente. Entre elas estão as bets, a economia informal ligada ao esporte, o turismo esportivo, os eventos e os eSports.
No caso das apostas, a ausência no primeiro levantamento está relacionada ao fato de o setor ter sido regulamentado apenas em 2024, com efeitos em 2025. Também não foram contabilizadas atividades informais ou ilícitas, como serviços não registrados e comércio ambulante informal.
O turismo esportivo apresentou outra dificuldade: não foi possível consolidar os gastos de torcedores e de outros públicos que se deslocam em função de eventos ou de sua atividade profissional.
Já o universo dos eSports foi calculado apenas parcialmente. As vendas do “FIFA Soccer” foram consideradas, mas ficaram fora eventos, outros jogos, skins e equipes de competição.
Também houve limitações na identificação do impacto de corridas de rua e torneios regionais de modalidades olímpicas e não olímpicas. A educação física escolar não apresentava dados específicos para consolidação, enquanto as informações referentes ao desporto militar não foram disponibilizadas.
Para Fabiana Bentes, presidente do Instituto Sou do Esporte, a próxima edição representa uma oportunidade de ampliar a dimensão econômica atribuída ao esporte.
“A segunda edição nasce com o desafio de levar o PIB do Esporte para mais esferas da economia. Temos atividades que não estavam mensuradas ou que apareceram apenas parcialmente na primeira edição. Bets, turismo esportivo, eventos, eSports e a própria economia informal mostram como existem outras camadas dessa indústria que precisam ser compreendidas. Quanto mais conseguirmos ampliar a qualidade e a disponibilidade dos dados, mais próximo estaremos de dimensionar o tamanho da economia do esporte brasileiro”, afirma Fabiana Bentes.
A pesquisa anterior já havia registrado uma ressalva importante sobre o resultado de R$ 183,4 bilhões: o cálculo estava condicionado à disponibilidade e à confiabilidade dos dados. Para preservar a precisão metodológica, informações não validadas ou provenientes de fontes consideradas insuficientemente confiáveis foram excluídas.
A busca por uma base de informações mais ampla estará, portanto, entre as prioridades da segunda edição. O primeiro relatório havia apontado a necessidade de aumentar a transparência das entidades esportivas e estabelecer maior padronização na coleta, prevista pela Lei Geral do Esporte por meio do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Esportivos (SNIIE).
“Quando conseguimos incorporar uma nova atividade, não estamos apenas aumentando um número. Estamos entendendo quantas empresas, profissionais, empregos, serviços e investimentos fazem parte daquela cadeia. A segunda edição precisa avançar justamente onde o primeiro estudo mostrou que ainda existe uma lacuna de informação”, acrescenta Fabiana Bentes.
Um real, diferentes impactos
Os números da primeira pesquisa também revelaram um efeito que ultrapassa o valor diretamente atribuído ao PIB esportivo. Cada R$ 1 aplicado pelo setor privado em atividades relacionadas à prática esportiva gera mais R$ 23,35 no restante da cadeia produtiva. No poder público, o impacto adicional calculado foi de R$ 12,83 para cada R$ 1.
A dimensão da participação governamental também foi calculada. Em 2023, as Secretarias movimentaram R$ 11,12 bilhões, equivalentes a 6% do PIB esportivo. Para chegar ao resultado, foram reunidas informações de 26 estados e 2.438 municípios.
O levantamento inclui ainda segmentos da indústria, Lei de Incentivo ao Esporte, Lei Agnelo/Piva e desporto militar.
Os patrocínios esportivos integram o resultado, mas não aparecem como uma categoria própria. Os aportes foram registrados nos balanços das entidades esportivas e distribuídos transversalmente pelos diferentes CNAEs. Na análise das receitas, foram adotados procedimentos para evitar duplicidades.
Grandes eventos mostram o alcance da cadeia
Alguns resultados do primeiro estudo ajudam a dimensionar essa circulação de recursos. Em 2023, a etapa da WSL produziu impacto econômico de R$ 219 milhões no país. O Rio Open, no mesmo ano, movimentou R$ 136 milhões no Rio de Janeiro. Em 2024, a Stock Car registrou impacto de R$ 170 milhões em Minas Gerais.
O conceito de cadeia produtiva adotado no levantamento engloba entidades públicas e privadas e atividades de indústria, comércio e distribuição, consumo e participação, serviços, saúde e bem-estar, mídia e entretenimento, turismo esportivo, governança e regulação.
Fabiana Bentes ressalta que ampliar a mensuração permite identificar os diferentes setores alcançados pelo esporte.
“Quando conseguimos mensurar o esporte, conseguimos mostrar que uma competição não movimenta apenas atletas e organizações esportivas. Há uma cadeia que chega à hotelaria, alimentação, transporte, tecnologia, comércio, comunicação e serviços. O objetivo dessa nova edição é avançar nessa leitura e produzir dados que ajudem a compreender onde e como o esporte movimenta a economia brasileira”, completa Fabiana Bentes.
O primeiro PIB do Esporte foi elaborado entre abril de 2024 e março de 2025, concluído em 2025 e estruturado com base nos dados de 2023. A metodologia considera conjuntamente desporto e paradesporto e utiliza os níveis de formação esportiva, excelência esportiva e esporte para toda a vida definidos pela Lei Geral do Esporte.
Com a nova fase iniciada em setembro de 2026, o Instituto Sou do Esporte pretende manter a construção de uma base periódica sobre a economia esportiva brasileira. A segunda edição buscará enfrentar as lacunas encontradas no levantamento anterior e ampliar o conjunto de informações disponível para empresas, organizações esportivas, investidores e gestores públicos.
Sobre o Instituto Sou do Esporte
O Instituto Sou do Esporte foi fundado em 2015 pela jornalista Fabiana Bentes como uma organização independente e apartidária dedicada ao fortalecimento do esporte brasileiro por meio da boa governança, transparência e responsabilidade social.
Em dez anos de atividade, a instituição se consolidou como uma das principais referências nacionais em qualificação da gestão esportiva e em iniciativas que aproximam esporte, economia, inovação, comunicação e impacto social.
Entre seus projetos estão o Prêmio Sou do Esporte, reconhecido como a maior premiação multissetorial do esporte brasileiro; o PIB do Esporte, estudo pioneiro desenvolvido em parceria com a EY para medir a participação esportiva na economia nacional; o SDE Bisutti Talks, série de encontros voltada ao conhecimento e networking entre lideranças do esporte e dos negócios; e o Sou do Esporte Gastronomia Nutritiva, que combina alimentação saudável, esporte, bem-estar e relacionamento.
A instituição também promove eventos, estudos, programas de capacitação e projetos estratégicos destinados ao fortalecimento do ecossistema esportivo, conectando organizações, empresas, governos e lideranças em torno de um esporte mais ético, transparente e sustentável.