Doença arterial periférica atinge até 20% dos brasileiros acima de 60 anos e exige atenção a sintomas silenciosos

Doença arterial periférica atinge até 20% dos brasileiros acima de 60 anos e exige atenção a sintomas silenciosos

Fernanda Leite
3 min de leitura 77

Especialistas alertam para subdiagnóstico da aterosclerose nos membros inferiores, que pode levar à amputação; sedentarismo, diabetes e tabagismo estão entre os principais fatores de risco

A doença arterial periférica (DAP), também chamada de doença ateromatosa periférica, afeta milhões de brasileiros, sobretudo homens e mulheres acima dos 60 anos, e é considerada uma das manifestações mais graves da aterosclerose acúmulo de placas de gordura nas artérias.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), a prevalência da DAP em pessoas com mais de 60 anos no país varia entre 10% e 20%, com altos índices de subnotificação.

“A doença arterial periférica reduz o fluxo sanguíneo para os membros inferiores, o que pode provocar dor ao caminhar, úlceras e até gangrena. Em estágios avançados, o paciente pode necessitar de amputação”, explica o cirurgião vascular Dr. Saymon Santana, diretor técnico da Clínica Vasculare, com atuação nos estados do Maranhão e Pará. O médico também é especialista em gestão em saúde e reforça que o problema está subdiagnosticado, especialmente na atenção primária. “Muitas pessoas só descobrem a doença quando já há complicações graves”, afirma.

Sintomas e fatores de risco

Na maioria dos casos, os sintomas iniciais passam despercebidos ou são confundidos com sinais naturais do envelhecimento. A principal queixa é a claudicação intermitente, dor nas pernas ao caminhar que melhora com o repouso. Formigamento, fraqueza e alteração da coloração dos pés e dedos também são sinais de alerta.

Entre os fatores de risco, os mais relevantes são:

– Tabagismo: fumantes têm até quatro vezes mais chances de desenvolver a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS);
– Diabetes mellitus: responsável por acelerar o processo de obstrução arterial, especialmente em membros inferiores;
– Hipertensão e dislipidemia: aumentam o risco de formação de placas ateroscleróticas;
– Sedentarismo e obesidade: dificultam a circulação sanguínea e favorecem o entupimento dos vasos.

Um levantamento do Ministério da Saúde mostra que cerca de 34% dos brasileiros com mais de 55 anos apresentam algum grau de comprometimento vascular, mas menos de 15% foram efetivamente diagnosticados ou tratados. “Isso reforça a necessidade de políticas públicas de rastreio, principalmente em unidades básicas de saúde”, destaca Dr. Saymon.

Diagnóstico e tratamento

A avaliação clínica, associada a exames como o índice tornozelo-braquial (ITB) e o Doppler vascular, é fundamental para o diagnóstico precoce. “São testes simples e pouco invasivos, que podem ser realizados na própria consulta, com equipamentos acessíveis”, explica o especialista.

O tratamento varia conforme o estágio da doença. Em casos leves, mudanças no estilo de vida, controle dos fatores de risco e uso de medicamentos são suficientes. Em situações mais graves, pode haver necessidade de procedimentos endovasculares ou cirurgias de revascularização.

“Quanto antes for feito o diagnóstico, maior a chance de evitar intervenções complexas e preservar a qualidade de vida do paciente”, afirma Dr. Saymon Santana.

Urgência em prevenção e educação

O médico alerta ainda para a importância de campanhas de educação em saúde voltadas à população idosa e a grupos de risco. “O Brasil precisa urgentemente incluir a DAP no radar da prevenção cardiovascular, da mesma forma que se combate o infarto e o AVC. A diferença é que, nesse caso, as consequências podem ser visíveis, como amputações evitáveis”, conclui.

Para especialistas, o fortalecimento da atenção básica, o treinamento de equipes multidisciplinares e a criação de protocolos de rastreamento em idosos e diabéticos são os caminhos para reduzir o impacto da doença, que ainda avança silenciosamente no país.

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