Estratégia, confronto e aprendizado marcam etapa de Match Race em Brasília
Veleiros do Sul | Divulgação

Dois barcos lado a lado, decisões rápidas e regras específicas transformam cada disputa em um confronto direto na água. É nesse ambiente que Brasília recebe, de sexta-feira (2) a domingo (4), uma etapa da Academia Brasileira de Match Race, no Iate Clube de Brasília, no Lago Paranoá.

A competição integra o projeto de retomada do Match Race no Brasil e reúne regatas, treinamentos, clínica técnica e atividades voltadas à formação de velejadores e árbitros. A iniciativa já passou por São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS) em 2026 e tem organização da Confederação Brasileira de Vela, Academia Brasileira de Match Race, Iate Clube de Brasília e Flotilha Ranger 22 do Distrito Federal.

A dinâmica é diferente daquela encontrada nas regatas de flotilha. No Match Race, duas equipes se enfrentam diretamente, fazendo com que posicionamento, estratégia, leitura do vento, controle do adversário e domínio das regras tenham papel central. Em Brasília, a arbitragem será feita na água, seguindo as Regras de Regata a Vela 2025-2028 da World Sailing e o Apêndice C, específico da modalidade.

Tatiana Almeida explica que a retomada também exige uma aproximação prática das novas gerações com a disciplina. “Como o match ficou morto por muitos anos, as novas gerações não entendem essa disciplina. Então precisamos ensinar a diferença entre o match e uma regata de flotilha. O apêndice C do livro de regras determina as alterações nas regras para essa disciplina. Mas só falar não é suficiente para entrar no sangue. Tem que vivenciar. Então a academia, além das aulas teóricas online antes dos eventos, disponibiliza um técnico para todas as equipes, para ajudar tanto na água quanto no pós-regata”, explica.

O primeiro dia de atividades será a sexta-feira (2), quando os treinos nos barcos terão início às 9h30. Depois da reunião com participantes, árbitros e Comissão de Regata, será realizado o sorteio das embarcações. As regatas começam às 14h e terão debriefing ao final.

No sábado (3), a programação será retomada às 9h30, com uma clínica de tática de Match Race marcada para as 19h. No domingo (4), as disputas começam às 9h30. O último sinal de atenção poderá ocorrer até 12h30, seguido pela premiação.

A flotilha Ranger 22 do Distrito Federal fornecerá os barcos da competição. Bacurau, Hora Extra, Portuense e Dolphin estarão disponíveis para os confrontos, enquanto o Vida será mantido como reserva. O sorteio das embarcações entre as equipes acontece antes das regatas, enquanto as Instruções de Regata estabelecem que as provas poderão ser disputadas com ou sem balão, conforme a sinalização da Comissão de Regata.

O modelo reduz a influência do equipamento sobre o resultado dos confrontos. O Ranger 22 possui aproximadamente 22 pés, equivalentes a cerca de 6,7 metros, e é utilizado tanto em regatas como em atividades de formação. Durante a competição, também existem restrições para modificações, regulagens e uso dos equipamentos.

A experiência acumulada por Tatiana Almeida é apontada por Kadja Brandão como parte importante da retomada da modalidade. “Tatiana Almeida é hoje, no quadro de juízes internacionais, uma das mais bem preparadas e atuantes. Ao elaborarmos o projeto de retomada de Match Race no Brasil, fomos buscar nela o que há de mais atual na regra e nos formatos de competições. Ela foi além das expectativas, tornando-se um grande pillar desse projeto. Sua determinação em elevar sempre mais o nível das regatas e dos quadros técnicos nacionais tem auxiliado a vela como um todo, desde o Optimist, até a vela de Oceano”, afirma.

A qualificação dos árbitros é outro eixo da iniciativa. O Brasil possui atualmente cinco árbitros nacionais de Match Race, segundo Tatiana Almeida. Em São Paulo (SP), uma clínica da World Sailing foi dedicada à arbitragem da modalidade. Já em Porto Alegre (RS), os profissionais participaram de um seminário com provas teórica e prática.

A formação, porém, segue após essas etapas: os árbitros aprovados ainda precisam atingir a quantidade mínima de campeonatos e cumprir os níveis estabelecidos para obter a homologação nacional.

“Precisávamos formar mais árbitros também. Desta forma, fizemos clínicas com aulas teóricas antes do campeonato e práticas durante o campeonato para que os árbitros pudessem praticar. Isso em São Paulo. Então trouxemos uma clínica da WS em São Paulo específica para árbitros de Match Race. Já em POA, tivemos o seminário de árbitros, onde houve a prova teórica e a prova prática”, explica Tatiana Almeida.

Em Brasília, a preparação continua durante a própria competição. Depois das regatas de cada um dos três dias, árbitros e velejadores participarão de debriefings. A clínica ocorrerá simultaneamente às disputas, permitindo discutir posteriormente situações observadas na água e relacioná-las ao conteúdo teórico.

“A idéia é renascer com match race no Brasil, ensinando a disciplina pros novos velejadores q não viveram a época de outro do match race, e trazer de volta os velejadores experientes. O match race enriquece o velejador de tal forma que ele se destaca em termos de tática, rapidez de raciocínio, trabalho em equipe…”, completa Tatiana Almeida.

Sobre a Academia Brasileira de Match Race

A Academia Brasileira de Match Race é dedicada à retomada e ao desenvolvimento do Match Race no Brasil. O projeto trabalha na formação de velejadores e árbitros por meio de aulas teóricas, acompanhamento técnico e competições realizadas em diferentes regiões do país. Com apoio da CBVela, a iniciativa busca aproximar novos velejadores da disciplina e contribuir para o crescimento do quadro técnico nacional.

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