André Fraga

As conexões brasileiras com a diáspora africana são tema de bate-papo e oficina de criação de jogo de tabuleiro, que serão realizadas nos dias 17 e 18 de julho, respectivamente, no Sesc Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A conversa contará com os responsáveis pela exposição “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”, falando sobre audiovisual expandido; arte e tecnologia; algoritmos racistas e afrodiáspora. Já a oficina é direcionada para adolescentes acima de 12 anos que podem criar e levar consigo um jogo de tabuleiro a partir dos símbolos Adinkras. As atividades fazem parte da programação da exposição gratuita “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”, de Eduardo Salvino, que acontece até o dia 23 de agosto.

O bate-papo na sexta-feira (17/7), acontece das 14h30 às 16h30 e contará com o criador da trilha sonora da exposição, Marcão Baixada; com o contador de histórias, Macedo Griot; e os interlocutores críticos, Larissa Macêdo e João Simões. As inscrições para participar devem ser feitas online, pelo link disponível aqui e o evento é indicado para todas as idades.

Já no sábado (18/7), será realizada a oficina “O que é? Adinkras”, ministrada por Eduardo Salvino, das 11h às 13h. Direcionada para adolescentes acima de 12 anos (crianças a partir de 7 anos somente com pais ou responsáveis) , com 20 vagas, a ideia é apresentar os jovens sobre os símbolos Adinkras e sua importância para a cultura da diáspora africana. Cada participante confeccionará dois tabuleiros, cada um contendo as imagens e informações dos ideogramas Adinkras, originários da África Ocidental, e suas respectivas cartas para adivinhação. Serão 18 cards para fixação nos dois tabuleiros e mais nove cartas soltas, com interrogação no verso, para serem adivinhados no jogo. Ao mesmo tempo, com ajuda do pirógrafo, serão feitos os estojos, para guardar componentes do jogo, para que cada participante possa levá-lo consigo. As inscrições podem ser feitas online neste link disponível aqui.

Sobre a exposição “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”

Indicada para todos os públicos, esta é uma instalação interativa que combina arte, tecnologia e memória afrodiaspórica. Por meio de um QR Code integrado à obra, o público acessa, pelo celular, um jogo online que utiliza inteligência artificial para propor reflexões sobre identidade, ancestralidade e os impactos dos algoritmos racistas na representação de pessoas negras.

“A imagem capturada não se refere apenas à uma fotografia analógica, mas à parâmetros informacionais, tornada código, via inteligência artificial. Daí a importância de disponibilizar a interação com esta obra, e problematizar a insistente opressão étnica, discriminações e preconceitos, o que cria possibilidades de contrapontos à narrativa única, e, outros possíveis padrões imagéticos”, disserta Eduardo Salvino, artista multimídia e criador da exposição.

Na exposição existe uma série de jogos baseados em diferentes reinos, como Angola, Congo, Malungo e Moçambique. Em busca de um resgate da ancestralidade por diferentes tecnologias, com jogos que versam sobre a ancestralidade e a diáspora africana. Embora lembrem, na estética, os jogos de azar online, a ideia destas ferramentas audiovisuais é trazer para o jogador problematizações em relação à negritude.

“À deriva nesse espaço, contando com escolhas e consequências, ele poderá explorá‑los, jogar, se divertir, aprender e exercitar suas próprias sínteses visuais e sonoras; o jogador, mesmo sem preocupação com desempenho, poderá navegar e apreciar mundos, alcançar objetivos, interagir ou mesmo evadir‑se. As ações do jogo são máquinas de materialidade, expressão e desejo, sendo a mecânica, também, mensagem desse jogo. Daí o jogo dentro do jogo para esse audiovisual expandido”, explica Eduardo Salvino.

A experiência se desdobra em uma narrativa audiovisual interativa, na qual cada participante percorre diferentes “reinos” inspirados em territórios históricos africanos. A exposição é fruto da tese de doutorado de Eduardo Salvino, com o título “Territórios em suspensão: contexto e mediação em intervenções contracoloniais”, defendida em 2024 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Por meio da obra, o artista busca expandir a temática ao alcançar um público fora do ambiente acadêmico formal, enquanto mistura audiovisual e jogos digitais, permitindo que o público participe ativamente da experiência.

“Acreditamos que com a interação com a obra, o público possa ter outras compreensões desse universo artístico-tecnológico emergente, se atualizando sobre o dinâmico espaço informacional. Apostamos ainda na possibilidade de leituras singulares que nos atravessam enquanto artista e público, componentes propulsores de novas relações poéticas dialógicas, onde se produz e se é produzido”, avalia Eduardo Salvino.

A obra também dialoga com a arquitetura local e propõe reflexões sobre como a arte é produzida, divulgada e recebida pela sociedade. A circulação do projeto ganha ainda mais importância diante da existência de jogos que reproduzem conteúdos racistas e criminosos, reforçando a necessidade de promover debates críticos por meio da arte. A exposição atual é uma sequência da “Salvíficos movimento #1 – ensaio mnemônico”, que aconteceu em 2022, também no Sesc Duque de Caxias, em que o público interagia com um jogo de arcade, a versão atual traz a imersão como ponto de partida.

Conheça Eduardo Salvino

Mineiro de Belo Horizonte (MG), o artista multimídia, pesquisador e professor é radicado em São Paulo (SP). Doutor em Poéticas Visuais pela USP e mestre em Comunicação e Semiótica, pela PUC SP, a exposição “Salvíficos Movimento #2 – Fábula” é fruto da sua pesquisa que investiga a audiência e contexto local em diálogo com o espaço e o tempo. Suas indagações também envolvem diálogos com a tecnologia e a racialidade, permitindo o investimentos nos espaços físicos e no universo da internet. Suas obras já passaram por Rio de Janeiro, Brasília (DF) e Goiás (GO), tendo ganhado os prêmios do Projeto Pulsar do Sesc nos anos de 2022 e 2026; o prêmio Funarte de Arte Contemporânea, em 2014; e o 6º Salão Nacional de Arte de Goiás.

Ficha técnica

A exposição “Salvíficos Movimento #2 – Fábula” é uma criação de Eduardo Salvino. O machine learning fica por conta de Roger Sodré, enquanto a operação do game é da Yes creative solutions. A trilha sonora é de autoria do Marcão Baixada, com interlocuções críticas de Larissa Macêdo e João Simões. Os registros fotográficos são de André Fraga, já a produção é da Salvinoprêmios, com assistência de produção de João Cerala. A assessoria de imprensa é uma realização da Orbe Comunicação.

Serviço

Bate-papo com os envolvidos na exposição “Salvíficos Movimento # 2 – Fábula”

Data: 17/07/2026 (sexta-feira)

Horário: 14h30 às 16h30

Entrada: Gratuita

Inscrição: https://p.me-page.com/ccb54401f420a2fbc88e1ca9fb03cc77

Oficina “O que é? Adinkras”, com Eduardo Salvino

Data: 18/07/2026 (sábado)

Horário: 11h às 13h

Entrada: Gratuita

Inscrição: https://p.me-page.com/ccb54401f420a2fbc88e1ca9fb03cc77

Classificação: 12 anos (crianças acompanhadas pelo responsável).

Vagas: 20

Exposição “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”

Duração: Até o dia 23 de agosto de 2026 (terça-feira à sábado)

Horário: 9h às 16h

Classificação etária: livre

Local: Sesc Duque de Caxias

Endereço: Rua General Argolo, nº 47 – Jardim 25 de agosto – Duque de Caxias – Rio de Janeiro/RJ

Agendamento para visitas mediadas e informações sobre a exposição: sescpulsarduquedecaxias@gmail.com

Telefone (apenas assuntos ligados à exposição): 21 3659-8377

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