O Rio de Janeiro receberá, nos dias 18, 19 e 20 de janeiro de 2026, a terceira edição do Festival Àgbádó – Semeando Futuro, Honrando Ancestrais, no Museu da República, no Catete. Realizado pelo Instituto Afrikerança, o evento se consolida como um dos principais espaços de valorização das culturas de matrizes africanas, do diálogo inter-religioso e do fortalecimento da economia criativa ancestral.
O Festival Àgbádó nasce da força da representatividade do povo negro e de sua imensa diversidade cultural. Em homenagem a Ọ̀ṣọ́ọ̀sí, o Grande Caçador, o milho, considerado o alimento sagrado do orixá, é celebrado como símbolo que transcende o campo religioso, afirmando-se também como base de sustentabilidade, fartura e conexão entre ancestralidade, presente e futuro para todo o povo brasileiro.
Nesta terceira edição, o festival fortalece e amplia parcerias institucionais fundamentais. Mantém a parceria histórica com o Museu da República e o IBRAM, presentes desde a primeira edição, e soma esforços com a Coordenadoria de Diversidade Religiosa e o COMPLIR, reafirmando o compromisso com a laicidade do Estado, o enfrentamento à intolerância e ao racismo religioso, e a valorização dos órgãos públicos responsáveis por garantir esse direito.
Realizado durante a Semana da Diversidade Religiosa, o Festival Àgbádó reforça a importância de celebrar o sagrado em sua pluralidade, ao mesmo tempo em que reivindica o acesso pleno de líderes religiosos aos seus direitos e deveres enquanto cidadãos.
Em 2025, o Afrikerança se consolidou como Instituto e, neste novo ciclo, amplia o protagonismo de coordenadoras de outros municípios do Estado do Rio de Janeiro, fortalecendo a construção coletiva do festival. Após duas edições marcadas pelo incentivo ao empreendedorismo ancestral, com a presença de artesãos e fazedores de cultura, o Àgbádó 2026 recebe novas parcerias estratégicas, como a Lanoz Events e a Feira Ziriguidum, que somam organização, economia criativa e potência cultural ao evento.
Como reconhecimento aos irmãos e irmãs de axé que constroem o Festival desde sua primeira edição, especialmente as Casas de Axé e os Grupos Culturais de Matrizes Africanas inscritos, o Instituto Afrikerança está pleiteando uma Moção de Aplausos da Alerj, em homenagem ao trabalho contínuo de salvaguarda da memória, da cultura e da dignidade do povo negro.
“Assim como o Grande Caçador, atiramos com uma única flecha: a do amor ao sagrado, e conquistamos muitos parceiros, multiplicando benefícios em nome da fartura, da solidariedade e da (re)existência.
Oke Aro! Arole Odé!”, expressou uma representante do Instituto Afrikerança.
PROGRAMAÇÃO
17/01/2026 – SÁBADO: “LAICIDADE EM AÇÃO: FÉ, DIREITO E DIVERSIDADE NO ESPAÇO PÚBLICO”
- 10 h: Abertura do 3º Festival
Presença: Coordenação do Instituto Áfrikerança e Coordenadoria da Diversidade Religiosa.
Falas Institucionais: Gabinete do Prefeito, Casa Civil, Coordenadoria da Diversidade Religiosa, Deputado ou Vereador Átila Nunes;
Tema Central: Laicidade do Estado.
- 10h 30: Retrospectiva 2025.
Apresentação de dados sobre Intolerância Religiosa e a Importância do 1746;
- 11h20: Roda de Diálogo Institucional
Participação da Coordenadoria da Diversidade Religiosa, RCPJ, DECRADE, COMPLIR/RIO, CONEPLIR, OAB, OAB/AXÉ, Deputado ou Vereador àtila Nunes e demais convidados;
- 12h30: Intervalo do Almoço;
- 14h: Atrações Artísticas: dança e Feira Cultural;
- 14h30: Atração Artística: Folia de Reis – Mestre Dinho;
Coordenadoras Responsáveis pelas Atividades:
- Do Município do Rio de Janeiro Mãe Moema de Iyemonjá
- Município de Maricá Mãe Deusa D’Gbensen.
- 15h: Atração Artística: Danças de Maricá: Perfomace de Dança;
- 15h20: Atração Artística: Escritor Nassor e Crianças de Àsé;
- 16h: Atração Artística: Laura Pitta – Cantora Mirim cantando para Caboclo;
- 16h20: Atração Artística: Jongo Eledá;
- 17h: Atração Artística: Samba de Raiz;
18/01/2026 – DOMINGO: “CORPOS QUE CANTAM, SABERES QUE PERMANECEM: A CULTURA COMO LEGADO ANCESTRAL”.
- 10 h: Roda de Diálogos com autores. Debates sobre escrita pela Fé, responsabilidade social e compromisso da literatura religiosa.
- 11h20h: Autógrafos e gravação de mensagens;
- 12h: Intervalo do Almoço;
- 14h: Roda de Conversa cultura alimentar nas religiões. Apresentação de pratos simbólicos e destaques culturais;
Coordenadoras Responsavéis pelas Atividades:
- Do Município de Nilópolis Mãe Maristela D’Osun
- Do Município de Magé Mãe Denise D’Oyá.
- Do Município de Duque de Caxias Doné Conceição de Lissá.
- 15h: Atração Artística: Workshop de Canto (Tenda Principal);
- 16h: Atração Artística: Perfomace do Teatro e Cortejo ( Tenda Principal) ;
- 15 as 17h: Atração Artística: Roda de Samba Corte do Cantagalo (Palco);
19/01/2026 – Segunda – Feira – “ANCESTRALIDADE QUE EDUCA, CURA E GUARDA MEMÓRIAS: AS MATRIZES AFRICANAS COMO PATRIMÔNIO VIVO”.
- 10 h: Palestra Professor Fernandes Portugal Filho falará sobre Odé – O Caçador Aclamado.
- 11h: Workshop Pontos de Memória: Realizada pela Coord. Munic. Mãe Juçara d’Iyemaja do Instituto Áfrikerança de São Gonçalo e Membro do Comitê Consultivo do IBRAM.
Tema 1 : A Importância da Preservação da Memória: Literatura, Centros de Memória, Instituto de Pesquisa.
- 11h: Atração Artística: Workshop de Dança – Babákekerê Fabrício D’ Logun Edé ( Palco);
- 12h: Almoço;
Coordenadoras Responsáveis pelas Atividades:
- Do Município de São Gonçalo Mãe Jussara Iyemonjá
- Município de Itaboraí Mãe Regina D’Oyá.
- 13h: Roda de Conversa com os Professores: Paula de Moraes, Helainio Gabriel de Sousa, Thana Fontes, Ajoie Alexia, Iyamoro Regina D’ Oyá;
Tema 2 : Ancestralidade, Oralidade e Arquivo: Centro de Memórias como Espaço e Produçao de Conhecimento.
- 14h: Roda de Conversa com os Psicólogos Iyakekerê Ojeronke Penha D’Yewa Coordenadora Estadual do Rio de Janeiro do Instituto Àfrikerança, Doné Conceição de Lissá Coordenadora Municipal de Duque de Caxias do Instituto Àfrikerança, Iyalorixá Kelly Madaleny D’Iyemonjá, Babakekerê Fabrício de Logun Edé e Biólogo Ogan Emanuel.
Tema 3: Racismo Estrutural, Saúde Mental, Ancestralidade
“Reconectar para Curar: Ancestralidade como Resistência ao Racismo”.
- 15h às 18h: Atração Artística: Roda de Samba ou Axé
DATA: 20/01/2026 – Terça-feira: “OSSOSSI VIVE: O SAGRADO COMO EXISTÊNCIA, RESISTÊNCIA E FUTURO”
- 10h: Etemi Flávia D’Osun com a Palestra: “Branquitude não é neutralidade: responsabilidade escuta e compromisso no antirracismo de terreiro.
- 10h30: Atração Artística: Workshop de Agogô;
Presença: Agogô Carioca – Sidcley Fernandes.
- 11h30: Celebração Religiosa do Festival Àgbádó com Lideranças de Matrizes Africanas e Autoridades.
- Procissão
- Roda do Àgbàdó;
- 14h: Entrega das Moções;
- 15h: Atração Artística: Cantora Danielle Valente – Musicista (Danille D’ Ọ̀ṣọ́ọ̀sí) – Orin Fun Òrìṣà
- 16h a 18h: Atração Artística: Roda de Samba com o grupo Iluaê/ Cafuá;
- 16h: Entrega de Alimentos em situação de vulnerabilidade ao entorno do Museu da República;
- 18h: Encerramento;
Sobre o Afrikerança
O Instituto Afrikerança é uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação, valorização e promoção das culturas africanas e afro-brasileiras, fortalecendo os saberes ancestrais e tradicionais. Atua no enfrentamento à marginalização das matrizes africanas por meio de ações nas áreas de educação, cultura, memória, sustentabilidade e justiça social.
O instituto desenvolve festivais, oficinas, formações, feiras literárias e produções audiovisuais que evidenciam as tradições orais, artísticas, musicais e espirituais dos povos afrodescendentes. Entre seus projetos estão o Festival Agbado, voltado à segurança alimentar, à sustentabilidade e à valorização do milho como símbolo ancestral, e o documentário Memórias de Terreiros, integrado à Rota Ancestral, que reconhece terreiros, objetos sagrados e territórios de axé como lugares de memória viva.
No campo da literatura, realiza a Feira Literária Narrativas Ancestrais, promovendo o acesso ao livro, à leitura e às epistemologias negras. A música e os cânticos tradicionais são compreendidos como patrimônio imaterial e tecnologias ancestrais de comunicação, cura e resistência. O Afrikerança desenvolve ainda programas de capacitação para lideranças comunitárias, mulheres e juventudes, afirmando-se como espaço de resistência, diálogo e transformação social.