Expansão
internacional e modelos compartilhados atraem quem quer participar do negócio
sem assumir a rotina de uma unidade
Durante muito tempo, abrir uma franquia de
alimentação significava estar próximo da operação: acompanhar funcionários,
controlar estoque, cuidar das vendas e, em muitos casos, colocar a mão na
massa. Esse perfil começa a mudar. O crescimento do franchising e a expansão
das marcas brasileiras para outros mercados têm aberto espaço para um novo tipo
de empreendedor, que não necessariamente quer administrar uma loja, mas deseja
participar do negócio.
Os números ajudam a explicar esse movimento.
Em 2025, o franchising brasileiro movimentou R$ 301,7 bilhões, alta de 10,5% em
relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).
O número de operações também bateu recorde, chegando a mais de 200 mil unidades
no país.
Ao mesmo tempo, as franquias brasileiras estão
cada vez mais presentes no exterior. O estudo mais recente da ABF aponta que
202 marcas nacionais somaram cerca de 4.194 operações internacionais em 104
países no ano passado, crescimento de 37% em apenas um ano. O mercado português
aparece na liderança em número de marcas brasileiras, com 72 redes e 416
operações.
Nesse cenário, começa a ganhar espaço uma
figura diferente do tradicional franqueado-operador: o sócio investidor.
Trata-se de alguém que tem capital para aplicar, mas nem sempre dispõe de tempo,
experiência ou interesse em administrar uma operação de alimentação.
É justamente esse público que a Itália no Box
pretende alcançar com seu modelo de gestão compartilhada. A proposta permite
investir a partir de R$ 150 mil em uma unidade da rede no país europeu,
enquanto a própria franqueadora fica responsável pela operação.
Na prática, quem participa do negócio não
precisa estar no local para acompanhar a rotina da unidade. A empresa assume
atividades como montagem da loja, contratação e treinamento da equipe,
marketing, captação de clientes, vendas, estoque e atendimento.
A mudança representa também uma transformação
na própria ideia do que significa ser franqueado. Em vez de adquirir uma
operação para trabalhar nela diariamente, o empreendedor passa a acompanhar um
negócio cuja rotina fica sob responsabilidade de uma equipe especializada.
“Percebemos que existe um público que quer
internacionalizar seus investimentos, mas não necessariamente deseja operar um
restaurante ou mudar de país. O modelo de gestão compartilhada foi pensado para
esse perfil, que quer participar de um negócio internacional sem assumir a
rotina operacional”, afirma Gabriel Alberti, sócio fundador da Itália no Box.
Mercado português ganha espaço na expansão das
franquias brasileiras
A escolha do mercado português acompanha um
movimento que já vem sendo observado pela indústria de franquias. Além da
proximidade cultural e linguística com o Brasil, o país ocupa posição de
destaque na internacionalização das marcas nacionais. Segundo a ABF, são 72
redes brasileiras presentes por lá, o maior número entre os mercados estrangeiros
monitorados pela entidade.
O interesse das empresas brasileiras também
aparece em iniciativas de internacionalização. Em outubro de 2025, uma missão
comercial organizada pelo Franchising Brasil, parceria entre ABF e ApexBrasil,
levou 16 marcas ao país e projetou US$ 2,34 milhões em novos negócios.
Para quem busca diversificar os negócios, a
internacionalização passa a ser vista sob outra perspectiva: não é
necessariamente preciso mudar de país, abandonar a carreira ou aprender a
administrar um restaurante para ter participação em uma operação no exterior.
No caso da Itália no Box, o modelo prevê ainda
a possibilidade de recebimento dos resultados em euro e informa lucratividade
de até 12% sobre o faturamento mensal da unidade.
A tendência acompanha uma transformação mais
ampla no franchising. À medida que as redes amadurecem, aumentam também os
formatos voltados a diferentes perfis de empreendedores, desde quem quer estar
à frente da operação até aqueles que preferem delegar a gestão e acompanhar o
desempenho do negócio.
Para o setor de alimentação, que movimenta
bilhões de reais todos os anos no país, a mudança pode representar uma nova
etapa: menos foco no empreendedor como operador e mais espaço para quem enxerga
a franquia como parte de uma estratégia de diversificação e crescimento.