O abandono psicológico – Como estamos criando nossa futura geração?

O abandono psicológico – Como estamos criando nossa futura geração?

Dr. Marcio R. Renzo
4 min de leitura 89
Criada por IA

Normal
0
false

21

false
false
false

PT-BR
X-NONE
X-NONE

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:8.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:107%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,sans-serif;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;
mso-bidi-font-family:”Times New Roman”;
mso-bidi-theme-font:minor-bidi;
mso-font-kerning:1.0pt;
mso-ligatures:standardcontextual;
mso-fareast-language:EN-US;}
table.MsoTableGrid
{mso-style-name:”Tabela com grade”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-priority:39;
mso-style-unhide:no;
border:solid windowtext 1.0pt;
mso-border-alt:solid windowtext .5pt;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-border-insideh:.5pt solid windowtext;
mso-border-insidev:.5pt solid windowtext;
mso-para-margin:0cm;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,sans-serif;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;
mso-bidi-font-family:”Times New Roman”;
mso-bidi-theme-font:minor-bidi;
mso-font-kerning:1.0pt;
mso-ligatures:standardcontextual;
mso-fareast-language:EN-US;}

O abandono psicológico, dentro da
visão psicanalítica, não se refere apenas à ausência física dos pais, mas à falha
na função materna e/ou paterna
enquanto sustentação emocional,
reconhecimento simbólico e validação afetiva.

O bebê não nasce com um “eu”
estruturado. O eu se constitui a partir do olhar, da palavra e da presença
psíquica do outro primordial.

Quando há
abandono psicológico, ocorre falha na função de holding (Winnicott), fragilidade
na constituição do self, lacunas na simbolização das emoções e dificuldade na
internalização de um objeto bom estável. Não é apenas “falta de carinho”. É
falha na construção da base narcísica.

Efeitos do abandono
psicológico

A criança
depende do investimento libidinal dos pais para sentir-se existente.
Sem esse investimento surge um narcisismo frágil, instala-se um sentimento
crônico de não ser digno de amor e a partir forma-se um superego severo e
persecutório.

A criança conclui
inconscientemente: “Se não sou visto, é porque não tenho valor.”

Sob outra ótica, quando os pais
são emocionalmente indisponíveis, isso traz instabilidade para a criança, um
medo intenso de abandono, um apego ansioso ou evitativo, podendo na vida adulta
surgir uma organização borderline. A ausência não elaborada transforma-se
em angústia de aniquilamento.

A formação do ego dessa
criança

O ego se
estrutura a partir da mediação do desejo do outro. Sem essa mediação, a criança
demonstra alguns sinais, como: dificuldades de regulação emocional, impulsividade,
sensação de vazio crônico e dependência afetiva excessiva. Muitos quadros
depressivos e borderline têm como base essa falha primária.

Principais sintomas na
infância

Na clínica infantil, o abandono
psicológico pode se manifestar como:

Sintomas emocionais

Sintomas comportamentais

Sintomas psicossomáticos

·  Tristeza
persistente

·  Agressividade

·  Enurese
(xixi na cama)

·  Ansiedade
de separação intensa

·  Isolamento

 

·  Dores
recorrentes sem causa orgânica

·  Medo
exagerado de rejeição

·  Busca
excessiva por aprovação

·  Distúrbios
alimentares

 

·  Baixa
autoestima precoce

·  Comportamentos
regressivos

 

 

Reflexos na vida adulta

Quando não elaborado, o abandono
psicológico pode gerar:

  • Relações amorosas marcadas por dependência ou
    evitação;
  • Medo crônico de rejeição;
  • Ciúme patológico;
  • Sensação de vazio;
  • Padrões repetitivos de escolher parceiros
    indisponíveis;
  • Estruturas depressivas ou borderline.

A compulsão à repetição
frequentemente aparece como tentativa inconsciente de reparar o abandono
original
.

Como evitar o abandono
psicológico

Não se
trata de pais perfeitos, mas de pais suficientemente bons. Mais importante que
a presença física é a escuta, a validação emocional e o reconhecimento do
sofrimento infantil.

A criança precisa que seus afetos
sejam nomeados: “Você está triste.”, “Eu entendo que isso machuca.”, isso
organiza o mundo interno da criança.

Impondo limites estruturantes

A função
paterna simbólica oferece contenção, lei e principalmente segurança. A ausência
de limite também é forma de abandono.

Transferindo para gerações

Pais que não elaboraram seus
próprios traumas tendem a repetir abandono emocional.
Intervenção terapêutica dos pais é fator preventivo fundamental.

Abandono psicológico e o trauma

O abandono
é um trauma relacional. Diferente do trauma pontual, ele é silencioso, crônico,
invisível e relativamente naturalizado. Por isso é tão devastador. Na clínica,
frequentemente encontramos pacientes que dizem: “Meus pais nunca me bateram.” Mas,
emocionalmente nunca foram vistos.

O que a prática clínica
mostra?

Considerando minha produção
voltada à compreensão profunda do sofrimento psíquico, especialmente em quadros
de instabilidade emocional e trauma, o abandono psicológico pode ser
compreendido como um dos núcleos estruturantes do sofrimento contemporâneo.

A sociedade atual favorece:

  • Pais fisicamente presentes, mas psiquicamente
    ausentes;
  • Terceirização do cuidado emocional;
  • Substituição de vínculo por tecnologia;
  • Narcisismo parental projetado nos filhos;

Do ponto de vista clínico, o
abandono psicológico aparece como:

  • Base estrutural de quadros borderline;
  • Núcleo depressivo profundo;
  • Origem de dependência afetiva;
  • Fonte de angústia de desamparo primário.

A abordagem, que integra
psicanálise e técnicas de acesso ao inconsciente (como a hipnoterapia), pode
favorecer:

  • Reacesso às memórias emocionais primárias;
  • Ressignificação de experiências de abandono;
  • Reconstrução do objeto interno;
  • Fortalecimento do ego fragilizado.

O abandono psicológico não é
apenas uma falha parental — é uma falha na sustentação do sujeito em sua
constituição. E, como sabemos na clínica, o que não foi simbolizado retorna
como sintoma.

Se identificou? Busque ajuda
profissional e tenha uma vida plena.

O que você achou?

Amei 21
Kkkk 33
Triste 10
Raiva 3
↓ LEIA A PRÓXIMA MATÉRIA ABAIXO ↓

Espere! Não perca isso...

Antes de ir, veja o que acabou de acontecer na Bahia:

Não, obrigado. Prefiro ficar desinformado.