Dados mostram crescimento do uso de inteligência artificial em hospitais e clínicas para melhorar gestão, previsibilidade e apoio ao diagnóstico
Dados da Global AI Survey 2025, da Blue Prism, mostram que 86% das organizações de saúde no mundo já utilizam inteligência artificial de forma extensiva, enquanto 94% consideram a tecnologia estratégica para operações clínicas e administrativas. Esses números são reflexo de como a tecnologia e as ferramentas digitais de IA vêm alterando a rotina de clínicas e hospitais em atendimentos e gestão da saúde. No Brasil, porém, a adoção ainda ocorre de forma gradual. A pesquisa TIC Saúde 2024 aponta que apenas 17% dos médicos usam inteligência artificial no cotidiano clínico, e cerca de 4% dos estabelecimentos aplicam a tecnologia em seus fluxos internos.
O avanço dessas ferramentas está ligado à tentativa de reduzir tarefas burocráticas, otimizar diagnósticos e melhorar a organização dos serviços. Com isso, profissionais da área de medicina passam a ter mais tempo para se dedicar à escuta ativa e ao acompanhamento do paciente, enquanto sistemas automatizados assumem parte dos processos administrativos e operacionais.
Segundo Gabriel Manes, head de marketing da Doctoralia Brasil e Chile, a adoção dessas ferramentas representa uma mudança importante na experiência dos pacientes e na gestão das clínicas. “A inteligência artificial representa uma oportunidade estratégica para clínicas que buscam entregar uma melhor experiência aos seus pacientes. Além disso, a IA permite transformar informações clínicas em dados e inteligência aplicada. Assim, é possível reduzir os custos, aumentar a receita e oferecer maior personalização ao paciente.”
IA amplia capacidade analítica no atendimento
A aplicação da inteligência artificial na saúde não se limita aos diagnósticos. Ferramentas digitais vêm sendo usadas para automatizar agendas, confirmar consultas, analisar históricos médicos e auxiliar na interpretação de exames.
Além disso, a IA também pode ajudar a prever surtos de doenças, apoiar pesquisas clínicas e melhorar o monitoramento de pacientes. O uso dessas tecnologias ocorre especialmente em áreas com grande volume de dados, como radiologia, cardiologia e medicina preventiva.
Entretanto, a tecnologia funciona como suporte ao profissional, e não como substituição do julgamento clínico. “A IA amplia a capacidade analítica do profissional de saúde e apoia decisões fundamentadas em evidências, sem substituir o julgamento clínico”, explica Gabriel Manes.
Na prática, isso inclui sistemas capazes de identificar inconsistências em prontuários, sugerir protocolos atualizados e até prever riscos de agravamento, a partir de padrões históricos. Em hospitais, algumas plataformas conseguem priorizar atendimentos de acordo com a gravidade dos casos, o que reduz o tempo de espera em emergências.
Desafios no Brasil
Embora o uso da IA avance globalmente, o cenário brasileiro ainda apresenta obstáculos ligados a infraestrutura tecnológica, capacitação profissional e integração de sistemas. A pesquisa TIC Saúde 2024 ainda mostra que a adoção permanece concentrada em hospitais de maior porte, enquanto clínicas ambulatoriais e consultórios menores utilizam poucos recursos automatizados.
A adaptação não depende apenas da aquisição de softwares, mas também da capacidade de incorporar novas rotinas ao atendimento sem comprometer a relação humana entre profissional e paciente.
Assim, a implementação deve ocorrer em etapas, com capacitação da equipe e acompanhamento de indicadores, como tempo economizado, previsibilidade de agenda e satisfação dos pacientes. À medida que os resultados aparecem, novas funcionalidades podem ser incorporadas.
Tecnologia e acolhimento caminham juntos
O avanço da lA na saúde vem acompanhado de uma mudança na forma como clínicas e hospitais organizam o atendimento. Enquanto softwares assumem parte das tarefas repetitivas, profissionais conseguem dedicar mais tempo à comunicação com os pacientes e ao acompanhamento individualizado.
A proposta da transformação digital não é substituir o contato humano, mas reorganizar processos para tornar o atendimento mais eficiente. Em um sistema de saúde marcado por alta demanda e excesso de burocracia, ferramentas digitais passam a atuar como apoio na rotina clínica e administrativa.