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Por João Ricardo Chamone Maciel

Durante muito tempo, pequenos amassados, marcas de estacionamento e danos estéticos eram vistos apenas como detalhes sem grande impacto financeiro. Hoje, porém, a realidade é diferente. Com os veículos usados alcançando valores cada vez mais elevados nos últimos anos, qualquer avaria pode representar uma perda significativa na hora da venda, da troca ou até mesmo da avaliação para seguros.

A valorização dos seminovos e usados foi impulsionada por uma combinação de fatores. Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) mostram que o mercado brasileiro registrou a comercialização de 15.777.594 veículos seminovos e usados em 2024, um crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior e o melhor resultado desde o início da série histórica da entidade. O desempenho reflete mudanças importantes no comportamento do consumidor e no próprio mercado automotivo, marcado pelo aumento dos preços dos veículos novos e pelas restrições de crédito. (FENAUTO – Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores. Fenauto anuncia recorde na venda de carros usados em 2024. São Paulo: Fenauto, 2025.) A tendência não apenas se manteve como se fortaleceu. Segundo levantamento divulgado pela Fenauto em janeiro de 2026, o setor alcançou 18.508.929 veículos negociados ao longo de 2025, registrando crescimento de 17,3% sobre o volume do ano anterior. O resultado consolidou um novo recorde histórico para o segmento e reforçou a relevância dos usados na composição do patrimônio das famílias brasileiras. (FENAUTO – Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores. Mercado de veículos usados bate recorde histórico de vendas. São Paulo: Fenauto, 2026.) Nesse cenário, a conservação estética ganhou importância. Um veículo bem cuidado transmite a sensação de zelo e manutenção adequada, fatores que influenciam diretamente a percepção de valor do comprador. Por outro lado, pequenos danos que antes passavam despercebidos agora podem servir como argumento para reduzir significativamente o preço de negociação.

O comportamento recente do mercado ajuda a explicar essa preocupação. O Índice Webmotors apontou que os veículos usados com motor a combustão apresentaram desvalorização média de 3,94% em 2025, percentual inferior ao observado em 2024, quando a queda havia sido de 4,11%. Na prática, isso significa que os automóveis estão preservando seu valor por mais tempo, tornando a manutenção da aparência e da originalidade ainda mais relevante para quem pretende vender ou trocar o veículo futuramente. (WEBMOTORS. Veículos usados desvalorizaram menos em 2025. São Paulo: Webmotors, 2026.) Muitos proprietários ainda subestimam o impacto financeiro desses detalhes. Um amassado na porta, uma marca causada por granizo ou um dano provocado pela abertura de portas em estacionamentos podem parecer simples de resolver, mas acabam comprometendo a aparência geral do veículo. Quando acumulados, esses sinais de desgaste afetam a percepção de conservação e podem resultar em perdas financeiras superiores ao custo do reparo.

Outro ponto importante é que o consumidor está mais atento. Plataformas digitais de compra e venda, sistemas de avaliação online e ferramentas de comparação permitem que compradores analisem rapidamente veículos semelhantes. Em um mercado cada vez mais transparente, diferenças estéticas que antes passavam despercebidas tornaram-se fatores relevantes na tomada de decisão.

A preocupação com a originalidade também cresceu. Em um ambiente que valoriza histórico de manutenção, procedência e transparência, muitos proprietários passaram a buscar soluções capazes de preservar a pintura original do veículo. Isso ocorre porque repinturas podem gerar dúvidas sobre colisões ou reparos estruturais, impactando a confiança durante a negociação.

A boa notícia é que a tecnologia de reparação automotiva evoluiu justamente para atender essa demanda. Métodos menos invasivos permitem corrigir diversos tipos de amassados sem comprometer a pintura original, preservando as características de fábrica do veículo e contribuindo para a manutenção de seu valor de mercado.

Mais do que uma questão estética, cuidar dos pequenos danos passou a ser uma decisão financeira. Em um mercado que bate recordes consecutivos de comercialização de usados e onde os veículos mantêm seu valor por mais tempo, preservar a aparência e a originalidade do automóvel tornou-se uma forma inteligente de proteger patrimônio e evitar prejuízos futuros.

Sobre João Ricardo Chamone Maciel é especialista em martelinho de ouro com atuação voltada à recuperação estética automotiva e preservação da originalidade dos veículos. Com mais de 15 anos de experiência no setor, construiu trajetória atendendo locadoras, oficinas e clientes particulares, com foco em reparos sem repintura e conservação do valor de revenda dos automóveis

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