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O documentário Teko Porã: Retrato Atual da Vida Cotidiana na Aldeia Guarani Rio Silveira foi premiado na 15ª edição do Berlin Women Cinema Festival, realizado em Berlim e qualificatório para o IMDb. Realizado na Aldeia Rio Silveira, o longa apresenta um retrato atual do cotidiano Guarani Mbya, aproximando o público de diferentes gerações, saberes, tradições e transformações vividas dentro da aldeia.

O documentário tem direção da jornalista Luciana Alves e codireção do Cacique Adolfo Timotio, e foi realizado com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e do Sistema Nacional de Cultura do Ministério da Cultura (MinC). “A conquista reforça o interesse cada vez maior pelas narrativas dos povos originários e pela potência do cinema indígena, levando para outros países histórias, culturas e modos de vida diferentes, que precisam ser vistos, respeitados e valorizados”, declara Luciana Alves.

Mergulho no aldeia

Imagine entrar em uma aldeia indígena no meio da Mata Atlântica, acompanhar uma família no preparo da comida, assistir ao Ano Novo Guarani, ouvir os cantos sagrados, ver crianças subindo em árvores descalças, e descobrir que tudo isso acontece a menos de três horas de São Paulo? É exatamente essa experiência que o documentário propõe ao espectador.

O lançamento oficial da produção ocorreu em 29/04, na Sala de Cinema São Paulo – Minas, no Complexo Fepasa, em Jundiaí, a 60 quilômetros de São Paulo, com entrada gratuita ao público da região. Antes, o filme teve uma apresentação especial em 17/04, dentro das comemorações da Semana dos Povos Indígenas, na aldeia Rio Silveira, em uma sessão marcada pelo reencontro entre a comunidade e sua própria imagem na tela.

Com 80 minutos de duração, o filme mergulha no cotidiano do povo Guarani Mbya na Aldeia Rio Silveira, localizada na divisa entre Bertioga e São Sebastião, no litoral norte paulista. Gastronomia, celebrações, famílias, espiritualidade, tradições e a riqueza da Mata Atlântica dividem espaço com os desafios enfrentados pela comunidade: a pressão da cultura não indígena, a dependência do dinheiro, a especulação imobiliária, a necessidade de conciliar saberes ancestrais com as demandas do mundo contemporâneo e a luta permanente pela visibilidade e pelo respeito.

Uma aldeia que surpreende, inclusive quem mora ao lado

A Rio Silveira integra um território indígena que abriga cinco aldeias e se estende até as encostas da serra, próximo à Riviera de São Lourenço. Apesar da proximidade com grandes centros urbanos e destinos turísticos, a comunidade permanece pouco conhecida, até mesmo por quem vive ou veraneia na região. “Muitas pessoas viam nas mídias sociais o que a gente compartilhava e achavam que estávamos no Xingu, na Amazônia, porque tem as tradições, tem o artesanato muito forte, a pintura corporal, o verde da Mata Atlântica é lindo, as músicas…”, conta Luciana Alves. “Não, eu estou gravando aqui, no litoral de São Paulo, duas horas e meia da minha casa.”

Esse estranhamento revela, segundo a diretora, algo essencial sobre o documentário: a cultura guarani é ainda bastante preservada, mas permanece invisível para a maioria dos brasileiros.

Uma produção construída junto com a comunidade

Ao longo de mais de um ano, a equipe realizou cerca de 20 diárias de gravação na aldeia, descendo repetidas vezes para acompanhar o ritmo próprio da comunidade. O processo foi gradual: a confiança foi sendo construída ao longo das visitas, abrindo acesso a temas e momentos que, no início, não seriam possíveis de registrar. “Eu decidi não colocar locução assim como as minhas impressões. Quis dar protagonismo a eles, ampliar a voz deles”, explica Luciana.

A trilha sonora segue a mesma lógica: todas as músicas foram gravadas na aldeia, executadas pelos próprios indígenas. “Quando a gente começou a gravar, sempre tinha música. Foi então que decidi valorizar as canções, a tradição deles.” Os sons do cotidiano também estão lá: a floresta, os animais, a noite e o dia — mas também os sons inesperados: o carro do gás, o vendedor de sorvete, a vida que pulsa entre dois mundos.

A força visual de Teko Porã é um dos elementos centrais do documentário. O filme combina imagens amplas da aldeia Rio Silveira, da mata e do litoral norte paulista, captadas com drone, com um olhar atento aos detalhes do cotidiano e da natureza. O diretor de fotografia Claudio Alves explica que a intenção era fazer com que o público sentisse a atmosfera da aldeia por meio da força das imagens. “A preocupação não era captar só imagens bonitas. Queríamos registrar ‘a alma’ daquele lugar. Mostrar a grandiosidade da paisagem, mas também os pequenos detalhes que muitas vezes passam despercebidos: a luz entrando na mata, o orvalho nas folhas, os animais, as crianças correndo, os olhares durante as entrevistas. Tudo isso compõe a força visual e emocional do documentário”, afirma Claudio Alves.

Entre a tradição e o celular

O documentário não idealiza a vida na aldeia. O povo Guarani Mbya retratado no filme vive uma tensão cotidiana entre a manutenção das tradições e as pressões da sociedade atual. Eles têm escola, usam celular, vendem artesanato – principal fonte de renda – e, ao mesmo tempo, cultivam sua língua, sua espiritualidade e seus rituais com uma força que impressiona quem chega de fora.

O papel das mulheres na aldeia também é destacado pela produção, que deu vozes a representantes da comunidade de várias gerações — além da voz, a oportunidade de assumirem as câmeras com seu olhar sobre questões diversas como a família, os desafios e os conflitos. “Eles vivem entre essa questão cultural de manter as tradições dos povos originários, mas também com toda a necessidade de pagar conta, de estudar, da tecnologia, do celular que está lá, latente na aldeia. Uma das imagens emblemáticas é de um guarani com um cachimbo, que faz parte da conexão espiritual deles, e o celular na outra mão. Então eles vivem entre esses dois mundos”, descreve a diretora.

O encerramento do documentário, com uma frase forte do próprio cacique, resume a urgência por trás de toda a questão indígena: para eles, território é muito mais do que terra — é sobrevivência.

Ficha Técnica
Direção: Luciana Alves
Codiretor: Adolfo Timotio
Roteiro: Luciana Alves
Pesquisa: Andre Pereira e Mariana Alves
Produção Executiva: Luciana Alves
Produção: Mariana Alves
Produção Local: Marina Fernandes Timotio e Marcio Fernandes Timotio
Assistente de Produção: Ariel Lobo e Maria Luiza Silva Espírito Santo
Direção de Fotografia: Claudio Alves
Montagem: Ariel Lobo
Edição de Texto: Mariana Alves
Operação de Câmera: Claudio Alves, Rafael Ramiro e Raphael Gomes
Câmera Adicional: Luciana Alves, Sariel e Marina Timotio
Drone / Operador de Drone: Raphael Gomes
Fotografia / Assistente Técnico: Bruno Cavalcanti
Colorista / Correção de Cor: Larissa Abrunhosa
Motion Graphics / Animações: Ariel Lobo
Legendas: Andre Pereira
Produção de Audiodescrição: Audeostudio
Roteiro e Narração de Audiodescrição: Raimundo Deodato
Libras: Educalibras
DCP / Masterização: Ariel Lobo
Som Direto: Cesar Antunha
Edição de Som: Cesar Antunha e Ariel Lobo
Finalização de Áudio / Mixagem: Cesar Antunha
Consultoria Cultural Indígena: Adolfo Timotio e Andre Pereira
Tradução (Guarani – Português): Marisa Fernandes Timotio e Marcinho Mirim Dju Fernandes Timotio
Social Media: Julia Canineo
Designer Gráfico: Carolina Lima, Joab Linhares e Maria Luiza Espírito Santo

Serviço:
Teko Porã — Retrato Atual da Vida Cotidiana na Aldeia Guarani Rio Silveira
Duração: 80 minutos
Direção: Luciana Alves
Codireção: Cacique Adolfo Timotio
Produção: Speed Comunica
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=OrbJxoAi76k
Redes sociais: @tekoporadocumentario (Instagram e YouTube)
Produtora: @speedcomunica

Contato para imprensa:
Ellen Fernandes – EBF Comunicação
(11) 99189-0354 | ebfcomunicacao@gmail.com

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