Regência Augusta, distrito do município de Linhares (ES), recebeu as atividades do projeto “Memórias da Foz: Oficina de Cerâmica Inspirada nas Plantas da Restinga” entre os meses de abril e maio, no Jardim Regenera Rio Doce. Idealizada pelo sociólogo e ceramista Hauley Valim, as oficinas gratuitas contaram com o mapeamento de plantas medicinais, modelagem em argila e cerâmica, esmaltação, pintura em tecido e impressão botânica. O resultado dos encontros culminou numa exposição com peças criadas pelos participantes. No encerramento, o público contou com a participação da banda regenciana Vampiros da Alexandria, que produz e apresenta músicas autorais de diferentes estilos.
Como ações de acessibilidade, o projeto contou com a participação ativa da Associação dos Surdos de Linhares – ASSURLIN. A entidade garantiu a acessibilidade comunicacional e a efetiva inclusão das pessoas surdas e com deficiência auditiva no “Memórias da Foz”. A presença de um profissional tradutor e intérprete de Libras assegurou o direito à participação plena, possibilitando que os associados acompanhassem, interagissem e contribuíssem em todas as etapas da atividade. Tal mediação linguística não apenas viabilizou o acesso às informações, mas também promoveu trocas culturais e o reconhecimento da Libras como elemento essencial no processo formativo.
“Memórias da Foz: Oficina de Cerâmica Inspirada nas Plantas da Restinga” foi contemplado no Edital 06/2024 da PNAB Espírito Santo que apoia a valorização do Patrimônio Cultural Capixaba, registro e difusão do patrimônio cultural local.
Sobre o Jardim Regenera Rio Doce
Espaço afetivo sociobiodiverso, o Jardim Regenera Rio Doce desenvolve ações em artes integradas, arte-educação e educação ambiental tendo como base os saberes e fazeres coletivos acumulados nos diálogos do Movimento Regenera Rio Doce com comunidades atingidas, coletivos artísticos e acadêmicos e movimentos sociais. Os encontros acontecem desde 2015, após o rompimento da Barragem de Fundão, que lançou rejeitos de mineração no Rio Doce. No espaço é possível colaborar e experimentar a construção de uma cultura regenerativa, que ajuda os participantes a vivenciar a realidade instável, pós-rompimento da barragem, pós-pandêmica e em contexto de mudanças climáticas.
“Nosso objetivo no projeto era criar espaços pedagógicos e afetivos favoráveis a trocas e aprendizados sobre natureza e cultura, por meio do estudo e da observação das plantas medicinais da Restinga. Além de manifestar, na cerâmica e na pintura em tecido, a relação entre o ser humano e a natureza de forma artística. Dessa forma, colocamos luz nos desafios provocados pelo rompimento da Barragem de Fundão, que atingiu comunidades com rejeitos de mineração”, aponta o sociólogo, ceramista e cuidador do Jardim Regenera, Hauley Valim.
E completa: “Com base nos conhecimentos intuitivos e científicos, no Jardim Regenera mergulhamos em processos culturais que visam o desenvolvimento natural e humano, através de experiências sensitivas com artes integradas: cerâmica, pintura, música, cultura popular, teatro, cineclube, ações museológicas, estudos alquímicos e antropológicos”, reforça Valim.
Ficha técnica
Coordenação e curadoria: Hauley Valim | Oficineiros: Felipe Andricopoulos e Tiaya Godoy | Fotografia: Júlia Lechi | Apoio e parceria: Coletivo do Ponto de Cultura e Memória Espaço Puri