Reduzindo a curva de aprendizado com realidade aumentada em tempos de alta rotatividade de funcionários

  • Andreas Kiessling 

Um estudo publicado em 2022 pela Robert Hall, a  primeira e maior empresa de recrutamento especializado no mundo, revelou que o crescimento das taxas de turnover tem se tornado cada vez mais uma grande e latente dor de cabeça para as empresas. Se a retenção de mão-de-obra qualificada já era um problema grave antes da COVID-19, ela se tornou pior desde o início da pandemia e permanece ainda hoje em níveis alarmantes em todo o mundo.

E a situação não é diferente no Brasil. Segundo a pesquisa, que reuniu informações do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – sistema do governo federal de monitoramento da mão de obra formal no país -, o Brasil tem a maior taxa de turnover no mundo, com 56% de rotatividade de funcionários e colaboradores. O estudo apontou ainda que 63% dos CIOs têm dificuldade em contratar profissionais de TI qualificados e que 49% das empresas se preocupam com a retenção de talentos na área de tecnologia.

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O Brasil é hoje o 10º maior mercado global de TI. No entanto, o setor de tecnologia é justamente o que registra as maiores taxas de turnover no país, chegando a 15% de acordo com o Relatório de Rotatividade do Linkedin. São mais de 400 mil vagas de trabalho a serem preenchidas – o que aponta que existe uma alta busca das empresas por profissionais qualificados. O problema está na oferta de mão de obra qualificada. De acordo com a Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais), as empresas de TI devem requisitar até 800 mil trabalhadores até 2025, porém o número de formandos no âmbito tech ainda é insuficiente para satisfazer a demanda – e a projeção aponta para um deficit  anual de pelo menos 100.000 profissionais.

Ainda assim, as empresas não podem parar. Trabalhos precisam ser feitos, manutenções e projetos precisam ser realizados, mercadorias tem que ser entregues. Como resolver, então, o problema da falta de mão de obra qualificada? Como treinar pessoas em tempo recorde sem comprometer a qualidade, a eficácia e a realização da atividade? A escassez de profissionais qualificados pode ser superada?

A resposta é sim e a solução está no uso de tecnologias que tenham uma curva de aprendizagem curta para que os especialistas seniores consigam acompanhar e direcionar remotamente o trabalho  de profissionais iniciantes. As empresas que quiserem se manter competitivas no mercado nacional e internacional terão que investir cada vez mais em especialização, formação remota e monitorização à distância. Isso se traduz na adoção de tecnologias como a de Realidade Aumentada (RA), que permite melhorar, facilitar e agilizar a forma como as pessoas desenvolvem suas capacidades e realizam suas funções.

Um dos exemplos mais eficazes sobre o poder transformador da realidade aumentada no ambiente de trabalho é seu uso nos processos de formação, integração e aprendizagem. Por meio de softwares, câmeras, dispositivos móveis e gadgets como óculos inteligentes, entre outros, a RA agrega conteúdo digital a um cenário real, imergindo o trabalhador dentro de determinados ambientes que o orientam em suas tarefas diárias e auxiliam na resolução de problemas. É uma experiência sensorial que conecta o virtual com o ambiente real de trabalho e ultrapassa os limites dos métodos mais tradicionais (por vezes até ultrapassados) para treinamentos e capacitações.

Ao utilizar uma ferramenta de realidade aumentada, o profissional pode receber mentoria em tempo real de um especialista sênior que esteja a quilômetros de distância, ampliando a capacidade do trabalhador de compreender e assimilar tópicos e procedimentos mais técnicos. Um trabalhador da linha de frente pode aprender a usar equipamentos em tempo recorde e com grande acurácia. Equipes de especialistas da empresa alocados em várias partes do mundo podem se conectar, direcionar e avaliar os times novatos em seus procedimentos e estratégias em sessões de treinamento para manutenção ou suporte de máquinas.

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No campo da indústria, as soluções de RA oferecem aos trabalhadores as ferramentas digitais necessárias para acelerar processos, diminuir taxas de erro, melhorar a qualidade e economizar custos. Com realidade aumentada é possível digitalizar processos e procedimentos baseados em papel ou executados em hardware desatualizados, tornando desnecessária a alternância entre diferentes dispositivos ou mídias. Outro ponto importante é que a RA promove integração perfeita em sistemas existentes, garantindo a entrega de dados ao vivo e sem tempo de  espera. A tecnologia de Realidade Aumentada garante ainda a criação e a atualização de workflows com grande rapidez, o que é essencial para que as forças de trabalho possam se adaptar em tempo real a mudanças imprevistas de processos ou dinâmicas. As possibilidades são infinitas e reduzem drasticamente a curva de aprendizagem e o tempo de treinamento de novos funcionários.

Em tempos de Transformação Digital, ainda que sob reflexo das instabilidades da pandemia, as empresas estão cada vez mais cientes do poder da RA para criação de ambientes de aprendizado mais dinâmicos e produtivos, tanto para formação como para retenção de talentos. E apesar de os trabalhadores da linha de frente ou em campo não se digitalizarem na mesma proporção que as forças de trabalho nos escritórios, a revolução tecnológica com ferramentas de realidade aumentada está aí para todos e ganhando cada vez mais ritmo para que o Brasil deixe de ser, em breve, o país com a maior taxa de turnover no mundo.

  • Andreas Kiessling é Gerente de Canais e Desenvolvimento de Negócios da TeamViewer LATAM.
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