Encontro gratuito no Instituto Pretos Novos reúne artistas e convidadas para compartilhar os bastidores da criação da exposição a partir de experiências pessoais e coletivas
A exposição “Apesar De”, da artista mineira Dalmoni Lydijusse, promove, no dia 29 de abril de 2026, às 16h30, a roda de conversa “A arte em narrativa decolonial em seus aspectos pessoais e coletivos”, no Instituto Pretos Novos, na região portuária do Rio de Janeiro.
Em cartaz desde 13 de março, a mostra ocupa a Galeria de Arte Pretos Novos Contemporânea e apresenta obras inéditas concebidas especialmente para o espaço. Nas pinturas, Dalmoni celebra a memória ancestral e a força de mulheres negras que atravessam gerações preservando cultura, identidade e permanência, apesar de todas as violências históricas.
O encontro parte de uma ideia central: compartilhar o processo de construção da exposição, um percurso que não se deu de forma isolada, mas em diálogo constante entre artista, curadoria, território e pessoas envolvidas. A partir da primeira pintura, a curadoria passou a sugerir desdobramentos e presenças, trazendo nomes como Tia Penha, Dona Lúcia e Dona Celestina para o centro da narrativa visual. “Depois que viram o primeiro trabalho, começaram a me fazer sugestões. Foram indicando pessoas que entenderam ser importantes estarem ali representadas, e eu fui atendendo a isso”, explica Dalmoni.
Esse processo também se refletiu nas escolhas formais de cada obra. Sem um padrão único de referência, a artista precisou lidar com imagens de diferentes origens e qualidades, de fotografias históricas a registros de celular com baixa nitidez. “Cada pintura pediu um jeito de fazer. Eu fui me adaptando a cada imagem que me chegava, e assim fui construindo o conjunto”, conta.
A conversa propõe, assim, abrir ao público essas camadas invisíveis do fazer artístico: as decisões, os atravessamentos e as relações que constroem uma exposição. Mais do que uma reflexão abstrata sobre passado e futuro, o encontro se ancora no presente e na forma como olhamos para a história. “O que me interessa é trocar o óculos para olhar para o passado e reconhecer o presente. Às vezes, é só olhar para a calçada para entender a nossa história”, diz a artista, indicando o tom da conversa.
A roda também evidencia as trocas construídas ao longo do processo. A psicóloga Georgina Martins, que acompanhou de perto a criação da mostra, contribui a partir desse olhar de escuta e elaboração. Já Mãe Sara traz a dimensão do encontro e do reconhecimento: ao posar para a artista, surpreendeu-se ao se ver representada de forma direta – “eu me reconheço aí” -, revelando a força da pintura como espelho e presença.
A curadora Priscila Fevrier, que assina a mostra ao lado de Alexandre Nadai, participa do encontro reforçando o papel da curadoria como agente ativo nesse processo, articulando demandas, construindo narrativas e aproximando a obra do território da Pequena África.
Em cartaz até 02 de maio, Apesar De transforma o espaço do Instituto Pretos Novos em lugar de escuta, memória e presença. A roda de conversa, nesse sentido, não encerra – aprofunda.
Participam da conversa:
Dalmoni Lydijusse – Artista plástica, mineira de Poços de Caldas, atua em plurilinguagem artística e desenvolveu formações e trabalhos em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Vancouver e Nova Iorque. Em 2003 fundou em sua cidade natal o Arte Ziriguidum, espaço cultural e seu atelier.
Georgina Martins – Psicóloga clínica especializada em abordagens corporais, arteterapia e processos formativos. Atua com jovens e adultos em consultório e projetos sociais, além de dirigir a CLISAB, clínica social da SABERJ.
Mãe Sara – Dirigente da UNICA e fundadora do Centro de Cultura UNICA, na Pequena África. Umbandista há mais de 25 anos, atua com saberes ancestrais, terapias naturais e combate ao racismo religioso.
Priscila Fevrier – Curadora artística, bibliotecária e pesquisadora com atuação centrada em memória, política e identidades negras. Integra o Instituto Pretos Novos desde 2023, onde coordena ações culturais e projetos de valorização do território da Gamboa.
Serviço
Roda de conversa: A arte em narrativa decolonial em seus aspectos pessoais e coletivos
Data: 29 de abril de 2026
Horário: 16h30
Local: Instituto Pretos Novos IPN, Rua Pedro Ernesto, 32/34 – Gamboa
Entrada franca
Exposição: Apesar De
Visitação: até 02 de maio de 2026
Serviço
Roda de conversa: A arte em narrativa decolonial em seus aspectos pessoais e coletivos
Data: 29 de abril de 2026
Horário: 16h30
Local: Instituto Pretos Novos
Entrada franca
Exposição: Apesar De
Visitação: até 02 de maio de 2026