Foto: Divulgação

Psicopedagoga explica que comportamentos frequentemente vistos como falta de interesse podem indicar dificuldades emocionais, cognitivas ou ausência de estratégias adequadas de aprendizagem

Quando uma criança evita tarefas escolares, demora para começar a lição ou parece “desligada” durante os estudos, muitos adultos chegam rapidamente à conclusão de que ela é preguiçosa ou desinteressada. Mas essa interpretação pode esconder questões muito mais profundas.

Segundo a psicopedagoga Camila Brasil, doutora em Educação pela UNICAMP, dificuldades relacionadas à aprendizagem nem sempre aparecem de forma óbvia. Em muitos casos, a desorganização, o medo de errar, a insegurança diante dos conteúdos e até a baixa autoestima acadêmica acabam sendo confundidos com falta de esforço.

“Nem toda criança que evita estudar está desmotivada. Muitas vezes, ela apenas não sabe como aprender, sente vergonha das próprias dificuldades ou já acredita que nunca conseguirá acompanhar os colegas”, explica.

A especialista afirma que o excesso de cobranças também contribui para agravar o problema. Quando o estudante escuta repetidamente que é distraído, preguiçoso ou incapaz, pode desenvolver uma relação negativa com a escola e com o próprio processo de aprendizagem.

Outro ponto importante é compreender que estudar também exige habilidades que precisam ser ensinadas. Organização, planejamento, atenção, autonomia e autorregulação não surgem automaticamente. Elas são desenvolvidas ao longo do tempo, com apoio adequado da família, da escola e de profissionais especializados quando necessário.

Camila ressalta que cada criança aprende de maneira diferente e que comparações costumam gerar ainda mais sofrimento. Para ela, o olhar acolhedor faz toda a diferença na construção da confiança e no desenvolvimento acadêmico.

“A criança precisa perceber que sua dificuldade não define sua inteligência. Quando encontra estratégias compatíveis com sua forma de aprender, o desempenho melhora e a relação com os estudos se transforma”, destaca.

Observar mudanças de comportamento, resistência frequente às atividades escolares, crises emocionais antes das aulas ou sensação constante de incapacidade pode ser um sinal de alerta. Nesses casos, buscar orientação especializada ajuda a identificar as causas das dificuldades e encontrar caminhos mais saudáveis para o aprendizado.

Camila Brasil é psicopedagoga, doutora em Educação pela UNICAMP e professora universitária há mais de 20 anos. É idealizadora do DESENCUCA, hub de aprendizagem criado para apoiar estudantes, famílias e escolas na construção de uma relação mais saudável, consciente e eficiente com o aprender. Atua com avaliação e intervenção psicopedagógica, estratégias de estudo, autorregulação da aprendizagem e orientação educacional com base em evidências científicas, neurociência e práticas pedagógicas qualificadas.

(function(w,q){w[q]=w[q]||[];w[q].push(["_mgc.load"])})(window,"_mgq");
Encontrou algum erro? Entre em contato