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Montagem discute o Alzheimer a partir da convivência entre mãe e filho, propondo um olhar sobre memória e cuidado

A vivência íntima transformada em linguagem cênica é o ponto de partida de “Meu Nome: Mamãe”, espetáculo idealizado e interpretado por Aury Porto, fundador da mundana companhia. A montagem chega a Barretos para duas apresentações nos dias 28 e 29 de março, no Teatro Cine Barretos Osório Falleiros da Rocha, com proposta de acesso ampliado por meio de ingresso solidário e apoio da Prefeitura Municipal de Barretos, por meio da Secretaria de Cultura.

A circulação integra o Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, fortalecendo a presença do teatro contemporâneo em diferentes cidades do interior.

Em cena, Aury Porto parte da relação com a mãe, que convive com o Alzheimer há quase duas décadas, para construir uma narrativa que ultrapassa o depoimento pessoal. O espetáculo se organiza como um fluxo de memórias, situações e afetos, em que as figuras de filho e mãe se atravessam, revelando as transformações provocadas pela doença e as possibilidades de reinvenção do vínculo.

“A peça nasce dessa convivência muito longa com a minha mãe. Durante muito tempo, essas histórias circulavam entre amigos, de forma até bem-humorada, e eu fui percebendo que ali existia um material potente para o teatro”, afirma Aury Porto. “Não é um trabalho sobre a doença em si, mas sobre a relação que permanece, sobre aquilo que ainda é possível construir mesmo quando a memória falha.”

Sem recorrer a explicações clínicas, a encenação aposta na experiência sensível do público. Momentos de humor, estranhamento e delicadeza emergem de situações cotidianas, convidando a plateia a perceber outras formas de presença mesmo diante das falhas da memória. “Existe uma tendência de olhar para o Alzheimer apenas como apagamento, mas, na convivência, a gente descobre outras formas de presença, outras formas de comunicação, muitas vezes mais intensas e verdadeiras”, completa o artista.

A direção é de Janaina Leite, que aproxima o material autobiográfico de uma pesquisa cênica voltada ao real. “A forma como essa família lida com a doença abre uma outra dimensão de presença. A saída lúdica encontrada para essa convivência é o próprio retrato do teatro no encontro com a vida”, destaca a diretora.

A dramaturgia de Claudia Barral estrutura o espetáculo a partir de fragmentos e sobreposições, evocando o funcionamento da memória. A cena é construída com elementos visuais que remetem ao cotidiano e às paisagens do sertão nordestino, com direção de arte de Flora Belotti. A trilha sonora original de Rodolfo Dias Paes (DiPa) e a iluminação de Ricardo Morañez ampliam a atmosfera entre o real e o imaginário.

Além da dimensão artística, o espetáculo também provoca reflexão sobre o envelhecimento e o cuidado em uma sociedade que convive com o aumento dos casos de Alzheimer. “A gente ainda fala pouco sobre a velhice e sobre o cuidado. O espetáculo também é um convite para olhar para isso de maneira mais humana, mais próxima, sem tanto medo”, conclui Aury Porto.

 

SERVIÇO

Espetáculo “Meu Nome: Mamãe”

Local: Teatro Cine Barretos Osório Falleiros da Rocha

Endereço: Rua Vinte, 864 – Centro – Barretos (SP)

28 de março (sábado)

Horário: 19h30

• Sessão com tradução em Libras

29 de março (domingo)

Horário: 20h

• Conversa entre equipe e público após a apresentação

Ingresso solidário: 1 kg de alimento e/ou 1 litro de leite

Classificação indicativa: 12 anos

Instagram:

@meunomemamae

https://www.instagram.com/meunomemamae?igsh=Y2NpcGd3b28wbXU2

Apoio: Prefeitura Municipal de Barretos, por meio da Secretaria de Cultura.

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