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Projeto adota solução híbrida, com pilares pré-moldados e metálicos combinados a vigas e cobertura em aço. Desenhado para ampliar vãos, reduzinterferências e permite que a unidade se adapte a novas linhas, equipamentos e processos

A expansão da fábrica da Toyota, em Sorocaba, no interior de São Paulo, fez mais do que acrescentar uma área construída a uma unidade industrial.

O projeto contribuiu para mostrar como a engenharia estrutural passou a ocupar um papel central na estratégia produtiva de uma montadora. “Essa ambição ganha escala concreta. Com 56 mil metros quadrados de área construída, 3.100 toneladas de aço utilizados e conclusão prevista para o fim de 2026, mais do que ampliar a capacidade da fábrica, a obra propõe uma verdadeira mudança de enfoque, com a unidade industrial deixando de ser pensada apenas para responder ao presente, passando a ser preparada para absorver transformações futuras”, afirma Bruno Paisana, um dos engenheiros responsáveis pela obra, que contou com projeto arquitetônico do escritório Minerbo Fuchs, estrutura metálica fabricada pela Alufer S.A e execução a cargo da Teixeira Duarte Engenharia e Construções.

“Em arranjos híbridos, o ponto decisivo nem sempre está na coexistência de materiais, mas em qual deles organiza o conjunto. No projeto da fábrica da Toyota, esse papel cabe ao aço. Em sistemas estruturais híbridos, o insumo pode ser considerado o elemento organizador quando as vigas e a cobertura metálica da obra assumem o papel principal na distribuição de cargas e na integração entre os sistemas”, destaca Bruno, acrescentando ainda que as vigas metálicas constituem a malha estrutural principal, recebendo as cargas da cobertura e redistribuindo-as aos pilares metálicos ou pré-moldados, com a cobertura se conectando diretamente a essa malha.

Sobre a estabilidade global do projeto, observa-se a relação direta com o sistema metálico, com pórticos, contraventamentos e vigas de travamento responsáveis por resistir às ações horizontais e controlar deslocamentos. “Em uma unidade industrial, esse tipo de escolha afeta mais do que o desempenho estrutural. Ela define o grau de liberdade da operação, determinando quanto uma linha produtiva pode crescer, quais equipamentos podem ser incorporados e com que facilidade áreas inteiras podem ser reorganizadas”, explica o engenheiro.

“A integração entre construtora, projetistas e fabricante da estrutura metálica ocorre desde as primeiras fases do projeto, por meio de um processo colaborativo de compatibilização técnica. Desde o início do projeto, as decisões passaram a incorporar requisitos de fabricação, transporte e montagem”, finaliza o engenheiro, acrescentando que o fabricanteda estrutura em aço ajudou a definir modulação estrutural, parâmetros de vãos econômicos e dimensões de perfis e limitações logísticas, além de participar da otimização do detalhamento, auxiliar na padronização de ligações, chapas e parafusos e contribuir para compatibilizar a estrutura com arquitetura, equipamentos e redes de instalações.

De acordo com o Centro Brasileiro da Construção em Aço, de forma geral, as vigas metálicas e treliças permitem vencer grandes vãos com menor peso próprio, reduzindo a quantidade de pilares internos e ampliando as áreas livres para instalação e reconfiguração. O sistema construtivo em aço propicia a construção de áreas mais abertas, com menos interferências internas e maior capacidade de adaptação, com os transportadores aéreos, passarelas técnicas, dutos e demais equipamentos passando a encontrar menos barreiras físicas.

A entidade esclarece ainda que nesse e em demais projetos a construção industrializada em aço oferece leveza estrutural e maior facilidade de integração com demais sistemas construtivos, além do fato de que no canteiro a execução passa a ter caráter predominantemente sequencial e de montagem.

“A estrutura metálica facilita a integração de sistemas de ventilação, exaustão e climatização, permitindo a fixação direta de dutos, suportes e equipamentos técnicos nos elementos estruturais”, informa o engenheiro Edson Luiz, outro profissional envolvido no projeto, explicando ainda que a fabricação industrial dos componentes metálicos assegura elevado controle dimensional e precisão geométrica, sendo essa condição necessária para a instalação e a operação de equipamentos industriais e sistemas automatizados.

Quando o assunto é vantagem associada com a opção pela construção em aço, segundo Edson, o destaque fica com o prazo. “Em uma ampliação desse porte, rapidez construtiva, precisão dimensional e flexibilidade operacional se tornam variáveis inseparáveis. Nessa ampliação, o uso de estruturas metálicas foi fundamental para atender às exigências de rapidez construtiva, precisão dimensional e flexibilidade operacional.

A fabricação industrializada dos elementos permitiu montagem rápida, com parte do trabalho avançando em paralelo às fundações. O ganho de prazo veio acompanhado de maior previsibilidade no canteiro, mais compatibilização entre frentes e melhor integração com equipamentos e redes técnicas.

“A eficiência ambiental começa antes mesmo da unidade entrar em operação. A fabricação industrializada diminui perdas de material e geração de resíduos, além da questão da total reciclabilidade do aço. A montagem seca reduz o consumo de água, a industrialização dos componentes diminui o uso de energia e de equipamentos e o menor peso estrutural melhora a logística, com menos transporte e menos emissões”, finaliza o engenheiro, acrescentando ainda que a rapidez da montagem também encurta a obra e reduz seus impactos temporários.

Ficha Técnica
Projeto de Engenharia / Engenheiro Responsável:Minerbo Funchs / Luiz Fernando Aguiar;
Empresa Responsável pelo Projeto e Fabricante da Estrutura em Aço: Alufer S.A Estruturas Metálicas;
Execução da Obra: Teixeira Duarte Engenharia e Construções;
Área Construída: 56.000 m²;
Volume de Aço Empregado: 3.100 toneladas;
Conclusão da Obra: Dez/2026;
Local: Sorocaba, SP.

Sobre o CBCA
O CBCA é uma entidade de classe, criada em 2002, com o objetivo de ampliar a participação da construção industrializada em aço no mercado nacional, realizando ações para sua divulgação e apoiando o seu desenvolvimento tecnológico no Brasil.
Tem como gestor o Instituto Aço Brasil e não é uma entidade comercial. Para acessar os últimos dados divulgados pela entidade sobre o mercado da construção em aço, acesse www.cbca-acobrasil.org.br/site/estatisticas.

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