Três destinos, três desafios e um objetivo: a preparação brasileira para Los Angeles 2028
Robert Hajduk / IKA Media

Inglaterra, Turquia e Irlanda serão os próximos cenários de competição para três jovens representantes da vela brasileira. Em uma mesma semana, Mateus Isaac, Lucas Fonseca e Valentina Guimarães entram na água em disputas internacionais que colocam à prova o trabalho realizado durante o ciclo rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Integrantes da Equipe Olímpica LA2028, do Instituto Bons Ventos, os velejadores terão pela frente o Mundial de iQFOiL, o Europeu de Formula Kite e o Mundial Feminino de ILCA 6.

Mateus estará em Weymouth, na Inglaterra, entre 4 e 12 de setembro. Lucas competirá em Akyaka, na Turquia, de 5 a 12. Valentina, por sua vez, disputará o Mundial Feminino de ILCA 6 em Dún Laoghaire, na Irlanda, também entre 5 e 12 de setembro.

Mais do que três compromissos isolados, os campeonatos fazem parte da preparação dos atletas para Los Angeles 2028. Cada prova representa uma oportunidade de competir contra alguns dos principais nomes das modalidades e de acumular experiência diante de diferentes condições de vento e raia.

Em Weymouth, Mateus Isaac persegue a Medal Series

Antes mesmo de as primeiras regatas começarem, Mateus Isaac já vinha aproveitando as condições de Weymouth para se preparar. O brasileiro chegou quase um mês antes ao local, onde encontrou condições favoráveis para uma rotina intensa de treinamentos.

Campeão pan-americano, Mateus disputará o Mundial de iQFOiL, cuja programação se estende de 4 a 12 de setembro, com as regatas começando no dia 7. Cerca de 250 atletas de 40 países participarão do campeonato na região de Weymouth e Portland, palco da vela nos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

O brasileiro chega à disputa com conquistas importantes no currículo recente. Em março, venceu o iQFOiL International Games de Cádiz, na Espanha. Em maio, ficou perto da Medal Series no Europeu de Portimão, onde chegou a ocupar uma posição de classificação antes de terminar em 15º.

A preparação também passou pela futura raia olímpica de Los Angeles. Em julho, Mateus participou da Long Beach Olympic Classes Regatta, terminou em 13º e garantiu para o Brasil uma vaga no iQFOiL para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2027.

O objetivo agora é transformar a preparação em uma campanha capaz de levá-lo até a decisão.

“Viemos quase um mês antes e os treinos têm sido muito bons. As condições de vento aqui são ótimas. É um lugar onde conseguimos treinar praticamente todos os dias. Venho de alguns campeonatos em que fiquei muito perto da Medal Series, e a meta agora é chegar lá”, afirmou Mateus.

O brasileiro detalhou o caminho que pretende percorrer na competição:

“Primeiro temos que classificar para a flotilha ouro, depois chegar à Medal Series. A partir daí, é entrar no último dia com a possibilidade de brigar por uma boa colocação e até pelas medalhas”, completou.

Valentina Guimarães encara frio e elite da ILCA 6

Na Irlanda, o desafio de Valentina Guimarães combina a força da flotilha com uma condição climática bastante diferente daquela à qual está acostumada. O Mundial Feminino de ILCA 6, em Dún Laoghaire, reunirá 110 velejadoras de 44 países entre 5 e 12 de setembro.

A brasileira chega ao Mundial depois de uma temporada marcada por bons resultados. Em fevereiro, conquistou o título feminino da Copa da Juventude. Em julho, foi a vencedora da classificação geral da ILCA 6 no Campeonato Regional Nordeste.

No Mundial Júnior realizado no mês passado, em Aarhus, na Dinamarca, Valentina terminou em 17º lugar entre 122 atletas. Durante a competição, chegou a ocupar a sétima posição.

A adaptação ao clima irlandês foi parte da preparação para o Mundial. A atleta chegou cedo ao país para se acostumar às condições antes da competição.

“O Mundial é um campeonato extremamente relevante. As melhores atletas do mundo estão aqui na Irlanda. O clima é muito frio, muito diferente para quem vem do Nordeste, como eu. Por isso chegamos cedo para fazer uma adaptação, e os treinos estão sendo muito legais”, afirmou Valentina.

Depois do Mundial, a programação continua. Ainda em setembro, Valentina disputará os Jogos Sul-Americanos, na Argentina. Em dezembro, ela terá como principal compromisso o Mundial da Juventude, em Portugal.

Lucas Fonseca leva confiança para Akyaka

Na Turquia, Lucas Fonseca chega ao Europeu de Formula Kite carregando a confiança de duas campanhas recentes entre os quatro primeiros.

A primeira veio em maio, no Mundial de Formula Kite de Viana do Castelo, Portugal. O maranhense terminou em quarto lugar, alcançando sua melhor colocação em um Mundial sênior. A campanha também foi histórica para o Brasil, que colocou dois atletas entre os seis primeiros.

Poucos dias atrás, Lucas voltou a ficar no Top 4. No Mundial Juvenil realizado em Urla, na Turquia, o brasileiro encerrou a fase classificatória em terceiro lugar, venceu duas regatas e avançou para a grande final. Ao final, repetiu o quarto lugar.

Sem deixar o país, Lucas seguiu diretamente de Urla para Akyaka. Desde então, vem treinando na raia que receberá o Europeu, marcado para ocorrer de 5 a 12 de setembro.

“Já estamos aqui em Akyaka nos treinos de preparação. Vim direto do Mundial Sub-21 e estou há alguns dias treinando nesta raia. O objetivo, sem dúvida, é terminar entre os quatro primeiros e conquistar uma vaga na final”, destacou Lucas.

Para o brasileiro, chegar à decisão muda completamente o cenário da disputa.

“Entrando na final, tudo pode acontecer. Você pode brigar por medalha e pelo título. Os treinos estão indo muito bem e ainda temos alguns dias para ajustar algumas coisas. As expectativas são as melhores para o evento”, acrescentou.

Experiência como preparação para Los Angeles

Enquanto os três velejadores encaram desafios distintos em diferentes países, o propósito é comum: chegar cada vez mais preparados às etapas decisivas do caminho até os Jogos de Los Angeles 2028.

A Equipe Olímpica LA2028 utiliza a participação frequente em competições internacionais como parte de sua estratégia para ampliar a experiência dos atletas, acelerar o desenvolvimento técnico e proporcionar contato constante com a elite mundial da vela.

O projeto do Instituto Bons Ventos reúne atletas consolidados e jovens talentos brasileiros em preparação para os Jogos de Los Angeles 2028. A iniciativa é viabilizada pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte, tem patrocínio do Grupo Energisa, Icatu Vanguarda e OceanPact e conta com o apoio da Confederação Brasileira de Vela (CBVela).

Instituto Bons Ventos

A atuação do Instituto Bons Ventos envolve o desenvolvimento do esporte por meio da gestão especializada de projetos, da realização de competições e do apoio à carreira de atletas.

A organização foi criada por atletas olímpicos, medalhistas pan-americanos, campeões mundiais, gestores esportivos e empresários do setor e tem como propósito utilizar o esporte como ferramenta de desenvolvimento social.

O instituto também possui expertise na estruturação e viabilização de projetos por mecanismos de incentivo fiscal, com domínio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte (Lei 11.438/2006) e de legislações correlatas nas esferas estaduais e municipais.

Com experiência em todo o ciclo dos projetos, incluindo captação de recursos junto ao mercado, execução e prestação de contas, o Instituto Bons Ventos trabalha para criar oportunidades para atletas, ampliar o acesso ao esporte e contribuir para a formação de novas gerações dentro e fora das competições.

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