Caminhos da Saúde na região de Presidente Prudente
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Por Humberto Tobé, Isabella Werneck Zanon

Para quem mora em Presidente Prudente, o tratamento contra o câncer ou as sessões de hemodiálise acontecem quase na porta de casa. Para os vizinhos de Pirapozinho e Rancharia, a mesma jornada significa horas de estrada, várias vezes por semana, num tratamento que já é exaustivo por si só. É essa diferença que o programa Caminhos da Saúde tenta encurtar com uma ambulância tipo A para Pirapozinho e um micro-ônibus para Rancharia, além de reforçona frota de Presidente Prudente.

Rancharia fica a cerca de 100 quilômetros de Presidente Prudente pela Rodovia Raposo Tavares. Sem o micro-ônibus dedicado ao transporte sanitário, famílias inteiras tem que organizar a rotina em torno dessas viagens: acordar cedo, contar com carona de vizinho ou juntar dinheiro para o transporte, tudo isso enquanto já lidam com o desgaste físico de um tratamento oncológico ou de diálise. O novo veículo, com capacidade para 29 passageiros, permite reunir pacientes do município numa única viagem regular, tirando dos ombros das famílias a tarefa de resolver, sozinhas, como chegar ao hospital.

Em Pirapozinho, a nova ambulância tipo A atende a quem mais precisa de cuidado no caminho: pacientes acamados ou com mobilidade muito reduzida, que não conseguem simplesmente embarcar num ônibus. Para essas famílias, o veículo significa a diferença entre conseguir manter o tratamento em dia ou faltar a sessões que, no caso da hemodiálise, não podem ser adiadas sem risco à saúde. Presidente Prudente, com 225 mil habitantes, é a única das três cidades que tem o hospital de referência dentro do próprio território, o Hospital de Esperança, antigo Hospital Regional do Câncer, que reúne oncologia clínica, cirúrgica e radioterapia. É para lá, e para o Hospital Regional da cidade, que convergem os pacientes de Pirapozinho e Rancharia quando precisam de tratamento de alta complexidade.

A hemodiálise segue o mesmo caminho. Os pacientes das três cidades são encaminhados para a Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente, para o Hospital Regional ou para clínicas de nefrologia conveniadas ao SUS na cidade, sempre pelo sistema de regulação estadual.

A disponibilidade de um transporte gratuito, seguro e confiável faz diferença real, é o que decide se uma pessoa consegue manter as sessões de hemodiálise três vezes por semana, ano após ano, sem ter que escolher entre o tratamento e o custo de se deslocar. Para quem vive em cidade menor e sem hospital de referência, um veículo público e gratuito de transporte sanitário pode ser o fator que garante continuidade a um tratamento que, interrompido, coloca a vida em risco.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Departamento de Atenção ao Câncer. Nota Técnica Conjunta nº 153/2026: critérios para a distribuição de veículos para o Transporte Sanitário Eletivo no âmbito do Novo PAC e do Programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Caminhos da Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/agora-tem-especialistas/caminhos-da-saude.

Sobre os autores

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC)

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