Endometriose: quais sinais indicam que é hora de investigar
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Dor que interfere na rotina, sintomas durante a menstruação e dificuldade para engravidar estão entre as manifestações que merecem avaliação ginecológica

Entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil têm endometriose, segundo estimativa do Ministério da Saúde. A doença, caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, pode provocar cólicas intensas, dor pélvica, alterações intestinais e dificuldade para engravidar. Apesar da frequência, o diagnóstico ainda pode levar anos, principalmente quando a dor menstrual é tratada como algo normal.

Endometriose: o que é e por que merece atenção

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao que reveste internamente o útero se desenvolve em outras regiões, principalmente na pelve. As lesões podem atingir estruturas como ovários, intestino e bexiga, provocando uma resposta inflamatória que varia de acordo com a localização e a extensão da doença. A condição costuma aparecer durante a idade reprodutiva, mas também pode atingir adolescentes.

Um dos obstáculos para identificar a doença é diferenciar uma cólica menstrual habitual de uma dor que interfere na rotina. Em entrevista à CNN, o ginecologista Maurício Simões Abrão explica que a dor associada à endometriose pode ser progressiva, provocar faltas ao trabalho ou à escola e aparecer durante a relação sexual ou ao evacuar e urinar, especialmente no período menstrual.

Principais sinais e sintomas de endometriose para ficar de olho

A manifestação da doença varia entre as pacientes. Algumas podem não apresentar sintomas, enquanto outras convivem com dores que afetam atividades cotidianas.

Entre os sinais que justificam uma avaliação ginecológica estão:

– Cólicas menstruais intensas, especialmente quando interferem no trabalho, nos estudos ou nas atividades habituais;

– Dor pélvica crônica, que pode persistir ou variar ao longo do ciclo;

– Dor durante a relação sexual;

– Dor ao evacuar ou urinar, principalmente durante a menstruação;

– Alterações intestinais ou urinárias cíclicas, como distensão abdominal, constipação ou dor;

– Dificuldade para engravidar.

A presença de um desses sintomas, isoladamente, não confirma a endometriose. Outras condições podem produzir manifestações semelhantes, por isso a avaliação clínica é necessária para determinar a causa.

Quando procurar uma avaliação e como é feito o diagnóstico

A investigação começa com uma conversa entre paciente e ginecologista. O histórico das dores, sua relação com o ciclo menstrual, os sintomas associados e o impacto na rotina ajudam o profissional a formular a hipótese diagnóstica.

A escolha do exame depende do quadro e da suspeita médica. Por isso, um resultado normal em um exame ginecológico de rotina não deve ser interpretado isoladamente como confirmação ou exclusão da doença.

Tratamento e qualidade de vida no manejo ginecológico

A endometriose é uma condição crônica, e o tratamento é definido de acordo com sintomas, localização e extensão das lesões, além dos objetivos reprodutivos de cada paciente. O acompanhamento pode envolver diferentes profissionais e estratégias ao longo da vida reprodutiva.

Com o avanço da medicina, exames de imagem mais específicos passaram a contribuir para uma identificação mais precisa das lesões e para o planejamento do cuidado. A avaliação adequada também permite que a conduta seja definida a partir das características de cada caso, em vez de considerar apenas a intensidade da dor.

Por isso, cólicas que impedem atividades, dores recorrentes durante a relação sexual ou sintomas intestinais e urinários associados à menstruação não devem ser simplesmente naturalizadas. Procurar um ginecologista diante de sintomas persistentes permite investigar outras causas e, quando houver suspeita, iniciar o caminho para o diagnóstico.

A endometriose não se manifesta da mesma maneira em todas as mulheres. Reconhecer os sinais e levar informações sobre a frequência, a intensidade e a relação dos sintomas com o ciclo menstrual para a consulta pode ajudar a tornar a investigação mais precisa e reduzir o tempo até a identificação da condição.

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