Mogi Guaçu e a Mogiana diante de um novo jeito de cuidar dos idosos: em casa, com equipe e com SUS
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Por: Humberto Tobé, Fatima Crhistine

Programa do Ministério da Saúde financia equipes multiprofissionais para visitar idosos que não conseguem sair de casa e abre oportunidade para municípios da região

Uma consulta no posto de saúde parece algo simples. Para quem tem 85 anos, sequelas de um derrame e mora no segundo andar sem elevador, não é. Nas cidades da Mogiana, como em todo o interior paulista, cresce o número de idosos para quem sair de casa deixou de ser possível. Em Mogi Guaçu, um dos principais polos da região, com 153.658 habitantes segundo o Censo 2022, essa realidade está presente em todos os bairros.

O Ministério da Saúde lançou em junho de 2026 um programa nacional pensado exatamente para esse público: o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, o Padi Brasil. A lógica é inverter o caminho. Em vez de o idoso ir até o SUS, o SUS vai até o idoso.

O Padi Brasil financia equipes multiprofissionais da Atenção Primária, as eMulti, para atender em casa pessoas com 60 anos ou mais restritas ao domicílio. O Governo Federal repassa ao município um incentivo mensal adicional de R$ 5 mil a R$ 10 mil por equipe, conforme a modalidade, além de uma parcela única para a implantação. Em todo o país, 2.733 municípios já pediram adesão, e o investimento previsto chega a cerca de R$ 500 milhões até 2027.

A equipe, que pode reunir enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional e médico, faz em casa uma avaliação ampla do idoso. Não olha só para a doença: examina a capacidade de se vestir e se alimentar, a memória, o humor, a nutrição, os riscos de queda e a rede de apoio familiar. O resultado é um plano de cuidados individual, revisado conforme a evolução do paciente.

O município precisa cumprir requisitos claros: manter um veículo para as visitas, cadastrado no sistema nacional, e registrar todos os atendimentos. Se deixar de cumpri-los, o repasse é suspenso. É uma forma de garantir que o recurso federal se transforme, de fato, em visitas e cuidado.

A Mogiana combina cidades médias, como Mogi Guaçu, com municípios menores que dependem delas para serviços de saúde mais complexos. Nesse arranjo, um idoso sem acompanhamento em uma cidade pequena acaba, cedo ou tarde, chegando ao hospital do polo regional, quase sempre em situação grave.

Com equipes visitando os idosos em casa, esse fluxo muda. Problemas são identificados cedo, medicações são ajustadas a tempo e as famílias aprendem a reconhecer sinais de alerta. Os hospitais da região passam a receber menos casos de complicações evitáveis, e os leitos ficam disponíveis para quem realmente precisa deles.

Sem esse cuidado, o roteiro é conhecido. A escara que ninguém tratou vira infecção. A queda no banheiro vira fratura de fêmur. A pneumonia não percebida vira internação em UTI. Para um idoso frágil, cada internação pode significar perda definitiva de autonomia. Para a família, significa semanas de angústia, faltas no trabalho e custos que muitas vezes não cabem no orçamento.

No Brasil, 80% das pessoas idosas dependem exclusivamente do SUS. No estado de São Paulo, a população com 60 anos ou mais cresceu 60,3% entre 2010 e 2022. Os números mostram que a demanda por cuidado domiciliar só vai aumentar.

Para Mogi Guaçu e para toda a Mogiana, o Padi Brasil representa a chance de estruturar essa resposta com apoio permanente do Governo Federal, antes que a falta de cuidado se transforme em sobrecarga para toda a rede.

Sobre os autores:

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional. Servidora Pública Federal cedida da Universidade Federal do ABC para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.

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