Presidente Prudente pode transformar o cuidado ao idoso com programa federal de atenção domiciliar
DIVULGAÇÃO

Humberto Tobé, Fátima Christine

Padi Brasil financia equipes multiprofissionais para atender em casa idosos que não conseguem se deslocar e abre oportunidade para toda a região

Presidente Prudente, com 225.668 habitantes segundo o Censo 2022, é a principal cidade do Oeste Paulista e referência em saúde para dezenas de municípios, incluindo os do Pontal do Paranapanema. Seus hospitais recebem pacientes de uma região extensa, onde as distâncias entre as cidades são longas e muitos municípios são pequenos.

Nesse contexto, o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, o Padi Brasil, lançado pelo Ministério da Saúde em junho de 2026, tem potencial para mudar a forma como a região cuida de seus idosos mais frágeis.

O programa financia equipes multiprofissionais da Atenção Primária, as eMulti, para atender em casa pessoas com 60 anos ou mais restritas ao domicílio. O Governo Federal repassa um incentivo mensal adicional de R$ 5 mil a R$ 10 mil por equipe, conforme a modalidade, além de uma parcela única de implantação. A adesão é feita pelo e-Gestor.

A equipe faz em casa uma avaliação multidimensional da pessoa idosa, com o instrumento IVCF-20, integrado ao prontuário eletrônico do SUS. Ela identifica o grau de fragilidade e os riscos de cada caso: medicamentos que precisam de ajuste, sinais de desnutrição ou depressão, barreiras dentro de casa que favorecem quedas. Com essas informações, constrói um plano de cuidados com metas, responsáveis e periodicidade definidos.

A diferença em relação ao modelo tradicional é clara. Em vez de o idoso só ser atendido quando a situação se agrava, ele passa a ser acompanhado de forma contínua, o que permite agir antes da crise.

Para uma cidade-polo, o cuidado domiciliar tem um efeito duplo. De um lado, melhora a vida dos idosos do próprio município. De outro, reduz a pressão sobre os hospitais de referência, que atendem toda a região. Cada idoso acompanhado em casa e mantido estável é um leito que fica disponível para o paciente que chega de outra cidade em situação grave.

A experiência construída em Presidente Prudente também pode orientar os municípios menores do Oeste Paulista, muitos deles com população envelhecida e estrutura de saúde limitada, que podem aderir ao programa com o mesmo apoio federal.

Sem um programa de atenção domiciliar, o idoso acamado vive à margem do sistema de saúde. A família faz o que pode, mas sem orientação técnica, e os problemas se acumulam: feridas que não cicatrizam, remédios tomados de forma errada, quedas que se repetem. Em algum momento, tudo isso termina em internação, muitas vezes longa e com perda de autonomia.

A origem do Padi Brasil está ligada a esse ciclo: a experiência que inspirou o programa nasceu da constatação de que idosos sem acompanhamento após a alta voltavam repetidamente ao hospital.

No Brasil, 80% das pessoas idosas dependem exclusivamente do SUS, e a população idosa do estado de São Paulo cresceu 60,3% entre 2010 e 2022. Para Presidente Prudente e para o Oeste Paulista, o Padi Brasil é a chance de transformar essa realidade em cuidado organizado, permanente e financiado.

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional. Servidora Pública Federal cedida da Universidade Federal do ABC para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.

Encontrou algum erro? Entre em contato