Sintomas de pedras na vesícula podem ser confundidos com infarto
Pexels

Dor intensa na parte superior do abdômen ou do peito pode ocorrer em ambas as condições, o que exige avaliação médica para o diagnóstico correto

Dor intensa no abdômen, localizada do lado direito ou na altura do estômago, podendo irradiar para o peito; enjoo e vômitos; suor excessivo e mal-estar. Esses são sintomas de crises biliares, provocadas por cálculo na vesícula, ou cálculo biliar, que podem ser facilmente confundidos com um infarto. Ambas as condições podem apresentar dor que começa subitamente, afetando a parte superior do corpo, conforme informações do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva.

A crise biliar, que tem duração entre 30 minutos e duas horas, ocorre devido à presença de um ou mais cálculos biliares bloqueando temporariamente a saída de bile da vesícula. Para tentar expelir o cálculo e liberar a passagem, o órgão se contrai vigorosamente, gerando dor intensa.

Dados do Ministério da Saúde revelam que dois em cada dez brasileiros têm pedra na vesícula, problema que é mais comum entre mulheres. No Brasil, em 2024, foram realizadas 182 mil cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o terceiro procedimento mais realizado naquele ano.

Em se tratando de dor no peito, ela pode ser sinal de alerta para infarto quando vem acompanhada de sintomas como falta de ar, cansaço excessivo, palpitações, incômodos anormais na cabeça, desmaios e irradiação para outras partes do corpo, como alerta o Ministério da Saúde. A junção desses sintomas serve como orientação de quando procurar um cardiologista.

Cristalização da bile dá origem aos cálculos

A vesícula biliar armazena a bile, um fluido produzido pelo fígado que auxilia na digestão de gorduras que são eliminadas pelo intestino. Se o consumo de alimentos gordurosos e embutidos for exagerado, ou os níveis de colesterol no sangue estiverem muito altos, pode haver a formação de cálculos pela cristalização da bile.

Outros fatores de risco para a formação de pedras na vesícula, de acordo com o Ministério da Saúde, são predisposição genética, dieta rica em gorduras e açúcares, colesterol LDL alto e colesterol HDL baixo, obesidade, diabetes, pressão alta, síndrome metabólica, perda de peso rápida ou cirurgia bariátrica, jejum prolongado.

Uma crise de vesícula pode evoluir para uma inflamação aguda, chamada colecistite, ou outras complicações graves. Por isso, é importante buscar avaliação médica, com um gastroenterologista ou hepatologista, se a dor for acompanhada por sintomas como febre alta com calafrios, dor que não melhora após cinco horas e se torna constante, pele e olhos amarelados, fezes claras ou esbranquiçadas e urina escura, batimentos cardíacos acelerados.

Segundo o Ministério da Saúde, os pacientes não operados correm risco de 30 a 50% de sofrerem complicações graves, como colecistite aguda, quando um cálculo obstrui o ducto cístico, causando inflamação e acúmulo de muco; fístulas no intestino delgado ou cólon, causando obstrução intestinal, sangramento e infecções; coledocolitíase,que são cálculos no ducto que transporta a bile; colangite e papilites, inflamação das vias biliares; pancreatite, inflamação no pâncreas. A mortalidade, nesses casos, é de 7% a 15%.

Diagnóstico, tratamento e prevenção

O diagnóstico de pedra na vesícula é feito por meio da avaliação de sintomas e da realização de exames físicos e de imagem, como ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que permitem a visualização das pedras na vesícula.

Os principais tratamentos para pedra na vesícula incluem alterações na dieta, evitando alimentos gordurosos ou açucarados e o excesso de proteínas; remédios para baixar o colesterol e para aliviar as náuseas e vômitos; medicamentos para dissolver as pedras na vesícula; antibióticos, caso se desenvolvam infecções.

A colelitíase sintomática indica quando é necessário procurar um cirurgião geral, profissional responsável pela remoção cirúrgica da vesícula, procedimento chamado colecistectomia. Atualmente, a cirurgia é feita por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que garante uma recuperação mais rápida.

Para prevenir problemas na vesícula biliar, a orientação é manter um peso saudável e um índice de massa corporal adequado; consumir uma dieta equilibrada, rica em fibras e gorduras saudáveis; evitar o consumo excessivo de gorduras saturadas e colesterol; fazer exercícios regularmente.


Encontrou algum erro? Entre em contato