Humberto Tobé, Fátima Christine
Município teve o maior índice entre 24 cidades paulistas avaliadas em 2025, quase o dobro da capital, e já oferece o exame a partir dos 40 anos, como orienta o Ministério da Saúde
Na prevenção do câncer de mama, um número diz muito sobre a saúde de uma cidade: quantas mulheres na idade certa fazem a mamografia. Em Botucatu, esse número vem subindo. Segundo levantamento com dados oficiais do SUS, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde, o município teve em 2025 o maior índice de mamografias de rastreamento entre 24 cidades paulistas avaliadas: 0,58.
O indicador compara as mamografias feitas em mulheres de 50 a 69 anos com a metade da população feminina nessa faixa, já que o exame de rotina é feito a cada dois anos. Quanto mais perto de 1, mais perto a cidade está de cobrir todas as mulheres. Botucatu saiu de 0,40 em 2023 para 0,50 em 2024 e chegou a 0,58 em 2025, alta de 16% em um ano. De janeiro a julho de 2026, o índice estava em 0,56, e a meta municipal é alcançar 0,60 até dezembro.
A comparação com outras cidades ajuda a dimensionar o resultado. No mesmo levantamento, a capital paulista registrou 0,30, Bauru 0,24, Sorocaba 0,17 e Campinas 0,15. A referência apresentada no estudo era de 0,28. Na própria região, Itatinga também se destacou, com 0,36, terceiro maior índice entre os avaliados.
O segredo, segundo o município, está na atenção primária. As equipes das unidades básicas e de Saúde da Família acompanham as mulheres, orientam e encaminham para o exame. A rede conta com contrato para até 7.200 mamografias bilaterais por ano, além de ultrassonografias de mama, punções e exames citopatológicos, sem custo para as pacientes do SUS.
Botucatu também já aplica a orientação mais recente do Ministério da Saúde. Desde setembro de 2025, o SUS garante a mamografia para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, em decisão conjunta com o profissional de saúde. O rastreamento de rotina, que ia até os 69 anos, foi estendido até os 74. A mudança é relevante porque a faixa dos 40 aos 49 anos concentra quase um quarto dos casos de câncer de mama no país.
Os números importam porque se traduzem em vidas. Uma mamografia feita no prazo encontra tumores pequenos, muitas vezes antes de serem percebidos ao toque, quando o tratamento é mais simples e a chance de cura é maior. Índices baixos significam o contrário: mais mulheres descobrindo a doença em fase avançada. Em 2023, o câncer de mama matou 20.165 brasileiras.
Para a região de Bauru, a experiência de Botucatu é uma prova de que a prevenção funciona quando a rede pública é organizada da base ao exame. O SUS oferece as regras, o financiamento e o acesso gratuito. Quando a atenção primária faz a busca ativa e garante o encaminhamento, o resultado aparece nos indicadores e, principalmente, na vida das mulheres.