Olímpia leva carreta de prevenção do câncer aos bairros e distritos e mira 1.482 mamografias pelo SUS
DIvugação

Humberto Tobé, Fátima Christine

Campanha da Secretaria de Saúde com o Hospital de Amor de Barretos percorreu unidades de saúde da cidade com mamografia, Papanicolau e teste de câncer colorretal

Em vez de esperar que as mulheres fossem até o exame, Olímpia levou o exame até elas. Em 2026, a Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com o Hospital de Amor de Barretos, colocou uma carreta de rastreamento de câncer para circular pelas unidades de saúde da cidade. O roteiro passou pelo Centro, por bairros como Campo Belo, Jardim Tropical e as Cohabs e chegou aos distritos de Baguaçu e Ribeiro dos Santos. A meta era fazer 1.482 mamografias, além de coletas de Papanicolau e 260 testes para câncer colorretal.

O agendamento foi feito nas Unidades Básicas de Saúde. A mulher procurava a unidade mais próxima de casa, onde a equipe avaliava se ela estava apta e marcava o exame. Bastava levar documento, CPF, cartão do SUS e comprovante de residência. Tudo gratuito.

As regras da campanha seguem as orientações mais recentes do SUS. A mamografia foi oferecida a mulheres de 40 a 49 anos, todo ano, e de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Essa ampliação de faixas etárias foi anunciada pelo Ministério da Saúde em setembro de 2025. Antes, as mulheres abaixo dos 50 só tinham acesso ao exame se tivessem sintomas ou histórico familiar, e o rastreamento de rotina terminava aos 69 anos. Como a faixa dos 40 aos 49 concentra quase um quarto dos casos de câncer de mama no país, a mudança amplia de forma importante a chance de diagnóstico precoce.

O Papanicolau foi oferecido a mulheres de 25 a 64 anos. Essa é a mesma faixa coberta pelo teste molecular de DNA-HPV, que o Ministério da Saúde vem implantando no SUS para substituir gradualmente o Papanicolau como exame principal de rastreamento do câncer de colo do útero. O novo teste identifica o vírus antes de surgirem lesões e permite intervalos de até cinco anos entre os exames quando o resultado é negativo.

O teste de sangue oculto nas fezes, o FIT, foi oferecido a homens e mulheres de 50 a 75 anos. É um exame simples, feito em casa, que ajuda a identificar sinais precoces do câncer colorretal, um dos mais frequentes no Brasil.

A parceria com o Hospital de Amor mostra como o SUS se apoia em instituições filantrópicas para chegar mais longe. Sediado em Barretos, o hospital é uma das maiores referências em câncer do país e atende pelo SUS. Suas unidades móveis circulam por municípios de várias regiões, levando exames de rastreamento a quem mora longe dos grandes centros.

Para a região de São José do Rio Preto, a experiência de Olímpia mostra que prevenção é questão de acesso. Moradoras de distritos rurais e de bairros afastados dificilmente reorganizariam a rotina para ir até um centro de diagnóstico. Quando a carreta para na porta da unidade de saúde, o exame deixa de ser uma viagem e passa a ser uma consulta. Sem a rede pública, essa prevenção ficaria restrita a quem pode pagar.

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