Por: Humberto Tobé, Fátima Christine
Carreta do Ministério da Saúde funcionou por um mês no Parque da Cultura e mostrou como uma cidade-polo pode servir de porta de entrada para toda a região
No Noroeste Paulista, boa parte dos municípios tem poucos milhares de habitantes. Para quem mora em cidades como Pontes Gestal, Floreal ou Magda, um exame especializado costuma significar viagem, planejamento e, muitas vezes, espera longa. Em julho de 2026, Votuporanga encurtou esse caminho. De 3 a 31 de julho, uma carreta de saúde da mulher do programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, atendeu no Parque da Cultura moradoras de 17 municípios da região.
A unidade oferecia mamografia, ultrassonografia de mamas, ultrassonografia transvaginal e ultrassonografia pélvica ginecológica, com capacidade para até 60 atendimentos por dia. Funcionava de segunda a sexta, em dois turnos, e em dois sábados do mês. As pacientes eram convocadas pela Central de Regulação, de acordo com a ordem da fila do SUS e os critérios clínicos de cada caso.
Além de Votuporanga, foram atendidas mulheres de Álvares Florence, Américo de Campos, Cardoso, Cosmorama, Floreal, Gastão Vidigal, General Salgado, Macaubal, Magda, Monções, Nhandeara, Parisi, Pontes Gestal, Riolândia, Sebastiãnópolis do Sul e Valentim Gentil. A lista mostra o papel de Votuporanga como cidade-polo: quando o serviço chega ao centro regional, chega a toda a vizinhança.
Os exames oferecidos estão no centro da prevenção de dois cânceres que atingem milhares de brasileiras todos os anos: o de mama e o de colo do útero. A mamografia encontra tumores ainda pequenos, antes que possam ser sentidos ao toque. As ultrassonografias ajudam a esclarecer achados suspeitos e a investigar alterações ginecológicas. Feitos a tempo, esses exames permitem tratamentos mais simples e aumentam muito a chance de cura.
Esse cuidado ganhou novas regras recentemente. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde garante a mamografia pelo SUS para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, e o rastreamento de rotina passou a ir até os 74 anos. Quase um quarto dos casos de câncer de mama no Brasil aparece entre os 40 e os 49 anos. Mais mulheres com direito ao exame exigem mais capacidade de atendimento, e as unidades móveis ajudam a cobrir essa demanda.
Em regiões de cidades pequenas, a alternativa a uma estratégia como essa costuma ser a fila longa ou o exame pago. Para muitas famílias, pagar por uma mamografia ou uma ultrassonografia pesa no orçamento do mês. Sem a oferta pública, há o risco de a mulher simplesmente adiar o exame, e o adiamento é o que transforma um problema tratável em um diagnóstico tardio.
O Agora Tem Especialistas já passou por 38 municípios paulistas com suas unidades móveis, segundo balanço de setembro de 2026. No Noroeste Paulista, a passagem por Votuporanga mostrou o desenho que dá certo: o Ministério da Saúde leva a estrutura, a cidade-polo recebe e a regulação do SUS organiza a fila para que nenhuma moradora da região fique de fora.
Sobre os autores:
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional. Servidora Pública Federal cedida da Universidade Federal do ABC para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.