Humberto Tobé, Fátima Christine
Nova ala tem Centro de Parto Normal, UTI neonatal e oncologia, e recebe gestantes de alto risco de 15 cidades da região
No Vale do Ribeira, as distâncias são longas e as estradas, muitas vezes, difíceis. Para uma gestante de alto risco que mora em Iporanga, Cananeia ou Barra do Turvo, chegar a uma maternidade preparada para complicações pode levar horas. Por isso, o que acontece em Pariquera-Açu importa para toda a região. Em junho de 2026, o Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, principal referência do SUS no Vale, inaugurou uma nova ala dedicada à maternidade de alta complexidade e à oncologia.
O prédio tem 8,8 mil metros quadrados e acrescenta 93 leitos ao hospital, dos quais 53 já estavam em funcionamento na inauguração: 30 de enfermaria e 18 neonatais, sendo 7 de UTI neonatal. O Centro de Parto Normal tem cinco salas. A obstetrícia começou a ser transferida para o novo espaço em março de 2026. O investimento, feito pelo governo estadual, foi de R$ 94,2 milhões em obras e equipamentos.
O hospital é referência para mais de 284 mil moradores de 15 cidades. Para eles, a nova ala significa que gestações de risco e bebês que nascem prematuros ou com complicações podem ser atendidos dentro da região, sem transferências longas em momentos críticos. Os leitos de UTI neonatal são especialmente importantes: nas primeiras horas de vida de um bebê grave, cada minuto de deslocamento pesa.
O Centro de Parto Normal também reflete uma mudança no modelo de cuidado. Nesses espaços, partos de risco habitual são acompanhados com menos intervenções, mais liberdade para a mulher e presença de acompanhante. Os Centros de Parto Normal são um dos eixos da Rede Alyne, estratégia do Ministério da Saúde que organiza o cuidado materno e infantil no SUS e prevê, pelo Novo PAC Saúde, a construção de 30 novos centros e 36 maternidades no país, com prioridade para as regiões com mais mortes maternas.
A Rede Alyne tem como meta reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027, e em 50% entre as mulheres pretas. Além das estruturas, a estratégia elevou de R$ 55 para R$ 144 o valor por gestante destinado aos exames de pré-natal e prevê custeio federal mensal para ambulâncias que transportam gestantes e recém-nascidos graves. Em uma região como o Vale do Ribeira, esse transporte especializado faz parte do caminho entre a cidade pequena e o hospital regional.
A nova ala também concentra o atendimento em oncologia, o que fortalece o tratamento dos cânceres de mama e do colo do útero dentro da região. O governo estadual anunciou ainda um novo hospital para substituir a sede atual, com 75 anos de funcionamento, e um Ambulatório Médico de Especialidades em Registro.
O exemplo de Pariquera-Açu mostra como o SUS funciona quando as esferas de governo somam esforços. O estado investe na estrutura hospitalar, os municípios cuidam do pré-natal na atenção básica e o Ministério da Saúde define as diretrizes e financia a rede de cuidado materno. Sem essa engrenagem, a gestante do Vale do Ribeira continuaria dependendo de longas viagens no momento em que mais precisa de segurança.